Anthony Mackie ajeitou a lapela do terno pela terceira vez enquanto caminhava rápido pelos corredores do teatro. O som de aplausos e flashes estourando lá fora chegava abafado, como trovões distantes. Ele sabia que a premiere já estava pegando fogo, que a imprensa estava lá fora esperando um sorriso pronto, uma piada improvisada, aquele carisma que ele sempre entregava. Mas, por dentro, uma só coisa martelava: cadê o Sebastian?
O celular vibrava sem parar em sua mão. Mensagens não respondidas, chamadas que iam direto para a caixa postal. Anthony resmungou baixinho, balançando a cabeça com um meio sorriso nervoso.
— “Esse homem vai me dar cabelo branco…” — murmurou, passando por um grupo de maquiadores que cochichavam animados.
Ele abriu uma porta, depois outra. Camarins vazios, só o cheiro de maquiagem e cabides com roupas penduradas. O tempo parecia correr mais rápido, e ele sabia que, a cada minuto, os jornalistas lá fora já deviam estar se perguntando por que ainda não tinham visto os dois. O público sempre esperava Sam e Bucky juntos — e, de certa forma, ele também.
Anthony parou por um instante, apoiando as mãos na cintura, o corpo ainda vibrando da pressa. Respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos. Não era só preocupação profissional. Não era apenas a premiere. Era o fato de que, para ele, aquelas noites importavam mais quando Sebastian estava ao lado. Sempre tinha sido assim.
Uma assistente se aproximou, chamando seu nome, dizendo que precisavam dele no tapete vermelho imediatamente. Anthony assentiu, mas a inquietação não desapareceu. Ele seguiu pelo corredor, e logo a porta lateral se abriu para a explosão de luzes e vozes.
O tapete vermelho era um mar de flashes e câmeras apontadas para ele. O instinto entrou em ação: sorriso pronto, passos firmes, cumprimentos carismáticos. Ele posou, respondeu a perguntas rápidas, até brincou com um repórter sobre o terno que “definitivamente não era confortável para comer pipoca”. Mas, no fundo, os olhos dele sempre voltavam para a entrada lateral, esperando que Sebastian surgisse.
Enquanto autógrafos eram pedidos e microfones esticados, Anthony manteve a postura. Só quem olhasse de perto perceberia que o olhar dele vagava, que havia um fio de ansiedade escondido atrás do carisma.
Porque, para Anthony, não importava o brilho do evento, nem o peso do filme. A premiere não estaria completa enquanto não visse o parceiro ao lado dele. Sam e Bucky. Anthony e Sebastian. Como sempre.
E até encontrá-lo, continuaria sorrindo para as câmeras, mas com um único pensamento queimando por dentro: “Onde você está, cara?”