Bellamy Blake
    c.ai

    A névoa da manhã ainda pairava entre as árvores quando Bellamy Blake terminou de ajustar a bandoleira no peito.

    Agora não havia improviso nos movimentos.

    Havia técnica.

    Havia treino.

    Ele caminhava entre as barricadas recém-erguidas, observando ângulos mortos, avaliando distância entre atiradores, corrigindo postura com toques firmes no ombro de quem segurava a arma errado.

    — “Cotovelo mais alto. Respira antes de puxar o gatilho.”

    A voz não era mais impulsiva.

    Era controlada.

    Bellamy subiu na estrutura de vigia, apoiando o joelho na madeira e analisando a linha da floresta. Selvagens — terrestres — não atacavam sem estudar antes.

    Ele sabia disso agora.

    Sabia ler sinais: galhos quebrados, silêncio repentino de pássaros, fumaça distante demais para ser acaso.

    Ele ajustou o rádio preso ao colete.

    — “Turno três, atentos ao flanco leste. Eles testam primeiro por lá.”

    O vento bateu contra o rosto dele, trazendo o cheiro de terra úmida e ameaça iminente. Bellamy não piscou.

    A mão descansava naturalmente sobre o fuzil, dedo fora do gatilho, mas pronto.

    A impulsividade do começo havia sido substituída por responsabilidade pesada.

    Não era mais sobre provar algo.

    Era sobre manter todos vivos.

    Ele desceu da torre e caminhou pelo acampamento, conferindo cada posição. Quando passou por um dos mais novos, que tremia discretamente, Bellamy parou.

    Segurou o olhar dele.

    — “Fica atrás da cobertura. Só atira se eu mandar.”

    Sem dureza desnecessária.

    Sem arrogância.

    Apenas certeza.

    Ao longe, um estalo ecoou na mata.

    Bellamy ergueu o punho imediatamente.

    Silêncio absoluto no acampamento.

    Ele respirou fundo uma vez.

    Duas.

    Os olhos fixos na linha das árvores.

    Se viessem, encontrariam resistência.

    Porque, desta vez, Bellamy não estava apenas sobrevivendo.

    Estava preparado.

    E ninguém atravessaria aquela linha sem passar por ele primeiro.