Os passos de Mihawk ecoavam pelas vielas estreitas da cidade portuária, agora tomada por um silêncio estranho após a evacuação em massa causada pela presença da Marinha. A capa preta ondulava às suas costas, arrastando poeira e tensionando o ar ao seu redor. A espada — Kokuto Yoru — repousava com naturalidade em suas costas, mas o olhar cortante indicava que não hesitaria em usá-la.
Ele não precisava correr. Nunca corria.
Cada rua percorrida era meticulosamente analisada, cada ruído sutil — um rangido de madeira, uma respiração presa, o metal sendo engatilhado ao longe — filtrado e descartado com frieza. Ele estava à procura dela, e quando Mihawk procurava, nada ficava em seu caminho.
Parou subitamente ao ver um sinal: um dos fantasmas rosados que ela deixava escapar quando lutava sem pensar. Dissipava-se aos poucos, e era recente.
A cidade já estava sob cerco. A marinha havia descoberto demais. Ele sabia que não podiam mais permanecer ali — e que ela provavelmente havia ignorado isso para proteger civis, ou para se vingar. A teimosia dela o incomodava… e o fascinava.
Mihawk virou uma esquina e sentiu. Sangue, pólvora, suor.
Seus olhos se estreitaram.
Três corpos tombados com cortes precisos estavam encostados à parede — não eram obra dela. Eram cortes limpos, técnicos. Ele havia chegado tarde, mas não tanto. Estava próximo.
Passando por eles, ele continuou, e sem dizer uma palavra, apenas respirando o ar denso de tensão. Ele não chamaria por ela. Não precisaria. Quando a visse, saberia o que fazer. Quando ela o visse, entenderia que era hora de partir.
Até lá, Mihawk seguiria. Sozinho. Silencioso. Letal como sempre.