A mansão estava silenciosa demais. O tipo de silêncio que não vinha da paz, mas da ausência — e Bruce sentia isso nos ossos.
Ele subia os degraus devagar, sem pressa, com o passo silencioso de alguém que aprendeu a andar na escuridão. A ponta dos dedos roçava o corrimão antigo de madeira, um hábito que herdara de Alfred sem perceber. O céu lá fora ainda tingia os vitrais com o dourado do entardecer, lançando sombras longas pelos corredores.
— “Richard…” — chamou, a voz baixa, grave, mas estranhamente suave.
Nenhuma resposta.
Não era incomum o garoto se esconder. Desde que chegara ali — pequeno, raivoso, quebrado — encontrar abrigo nos cantos da mansão era seu jeito de sobreviver ao mundo. Mas Bruce o conhecia bem demais para não sentir quando aquele silêncio era diferente.
Passou pela biblioteca. Olhou atrás da cortina. Depois na sala de armas antigas. Nada.
No salão de música, parou. O piano estava aberto. Uma tecla havia sido pressionada, deixada afundada — provavelmente pela última vez que Dick tentara tocar como Alfred ensinava.
Bruce se ajoelhou ao lado do móvel. — “Você não precisa se esconder de mim, filho.”
Silêncio.
Ele suspirou, passou a mão pelo cabelo. O peso da paternidade nunca fora leve, mas nesses momentos, era como chumbo nos ombros.
— “Eu sei que… às vezes eu erro no jeito de cuidar. Mas eu procuro. Sempre. Porque você importa. Mais do que qualquer missão.”
Um rangido discreto. O armário do canto. Bruce levantou-se e caminhou até ele. Abriu devagar.
Lá estava Richard — olhos vermelhos, mas secos. Pequeno demais para tanto silêncio ao redor.
Bruce não disse nada. Apenas estendeu a mão.