Steve
    c.ai

    Steve Rogers parou por alguns segundos diante da imponente Torre dos Vingadores, as mãos enterradas nos bolsos da jaqueta enquanto observava o reflexo do próprio rosto nas enormes paredes de vidro. Fazia meses desde a última vez que atravessara aquelas portas. Meses desde a discussão que destruiu a equipe. Meses desde que ele deixou aquele lugar acreditando que estava fazendo a coisa certa.

    E, apesar de ainda acreditar em muitas das decisões que tomou, havia uma diferença enorme entre defender seus princípios e deixar que eles destruíssem tudo o que haviam construído juntos.

    Steve respirou fundo antes de dar o primeiro passo.

    O saguão continuava praticamente igual. Funcionários cruzavam o hall carregando tablets e relatórios, alguns agentes conversavam próximos aos elevadores, e por um breve instante tudo pareceu absurdamente normal. Era estranho perceber que o mundo continuava girando mesmo depois de uma ruptura tão grande.

    Enquanto caminhava pelos corredores, as lembranças voltavam sem pedir licença. A discussão com Tony. As palavras duras. A raiva estampada nos rostos dos dois. O silêncio que veio depois, muito pior do que qualquer grito. Durante meses Steve repetiu para si mesmo que dar tempo ao tempo resolveria as coisas. Não resolveu.

    Na verdade, apenas fez a distância crescer.

    Se havia aprendido alguma coisa durante toda a sua vida, era que algumas batalhas não podiam ser vencidas esperando.

    Era preciso agir.

    Era preciso dar o primeiro passo.

    E, pela primeira vez desde a Guerra Civil, Steve estava disposto a fazê-lo.

    Não porque queria provar que estava certo.

    Não porque esperava ouvir um pedido de desculpas.

    Nem porque acreditava que Tony fosse mudar completamente de opinião.

    Mas porque o mundo continuava precisando dos Vingadores.

    Mais do que isso.

    Eles precisavam uns dos outros.

    Steve passou a mão pela nuca, soltando um longo suspiro enquanto diminuía o ritmo perto do laboratório principal. Conhecia Tony o suficiente para saber que, se não estivesse em alguma reunião, provavelmente estaria ali, enterrado em alguma invenção, fingindo que trabalhar vinte horas por dia era uma forma saudável de evitar os próprios pensamentos.

    Um pequeno sorriso surgiu em seu rosto.

    Algumas coisas nunca mudavam.

    Ele parou diante da porta automática e permaneceu imóvel por alguns segundos. Não era medo de enfrentar um inimigo. Era algo muito mais difícil.

    Era o receio de enfrentar alguém que amava como um irmão e que havia machucado profundamente.

    Ainda assim, recuar não era uma opção.

    Steve endireitou a postura, respirou uma última vez e ergueu a cabeça.

    Chega.

    Chega de orgulho.

    Chega de silêncio.

    Chega de deixar o passado decidir o futuro.

    Se fosse preciso passar horas conversando, passaria.

    Se fosse preciso ouvir acusações, ouviria.

    Se fosse preciso admitir seus próprios erros, faria isso também.

    Porque reconstruir uma equipe exigia coragem.

    E reconstruir uma amizade exigia ainda mais.

    Sem hesitar outra vez, Steve atravessou a porta do laboratório, determinado a não sair dali enquanto Tony Stark e ele não encontrassem, finalmente, um caminho de volta um para o outro — e para os Vingadores.