Roy Harper
    c.ai

    O sol começava a se pôr atrás da torre dos Titãs, lançando longas sombras pelo chão da sala principal. Roy Harper estava estirado no sofá, quase completamente desarmado da tensão que vinha acumulando durante dias de treino e missões. O traje dos Titãs estava jogado de qualquer jeito sobre o encosto, o arco desmontado descansando ao lado, e uma manta fina, enrolada de maneira improvisada, cobria parcialmente suas pernas.

    Na tela à sua frente, um filme antigo passava lentamente, cheio de trilha sonora dramática e cenas que, de alguma forma, pareciam mais vivas do que o mundo real naquele momento. Roy segurava um balde de pipoca meio vazio, rindo baixo sozinho de piadas que nem eram tão engraçadas assim, mas que preenchiam um vazio que ele nem sabia que sentia. Era uma sensação estranha: o caos da vida de herói ficando para trás, pelo menos por algumas horas, enquanto ele se permitia simplesmente existir.

    Ele deixou o corpo se afundar mais no sofá, fechando os olhos por alguns segundos, absorvendo o cheiro da sala, o calor do ar e o som constante da projeção. Cada cena do filme parecia arrastá-lo para longe das responsabilidades, das lutas, das estratégias, dos rostos que ele precisava proteger. Nada importava ali, a não ser o momento.

    Roy mexeu no cabelo, bagunçando ainda mais os fios ruivos, e deixou escapar um suspiro longo. O sorriso torto apareceu de novo, aquele que surgia apenas quando ele se sentia realmente confortável, quando ninguém estava exigindo nada dele. Ele riu baixo de uma piada da tela, quase sem perceber, e o som se perdeu no espaço silencioso da torre.

    O arqueiro levantou a mão, pegando outra pipoca e deixando que os pensamentos vagassem livremente. Ele pensou em Dick, em Donna, em Wally — todos ocupados em seus próprios mundos e problemas. E, por um instante, ele sentiu uma pontada de gratidão por ter esse refúgio: a torre, o sofá, o filme, o silêncio, a sensação de que podia simplesmente ser ele mesmo, sem máscaras, sem responsabilidade, sem pressa.

    O calor suave da sala se misturava ao brilho da tela, e Roy se esticou, apoiando a cabeça no braço do sofá e olhando para o teto. Pela primeira vez em muito tempo, ele sentia que podia respirar sem pressa, sem alerta constante, sem a tensão das missões que sempre exigiam velocidade, precisão e atenção total.

    Ali, naquele instante, Roy Harper não era apenas um Titã, não era o arqueiro que salvava cidades ou lutava contra o impossível. Ele era só um garoto cansado, relaxando, rindo sozinho de um filme antigo e percebendo que, por alguns minutos, isso era suficiente para ser feliz.