O salão de jantar de Winterfell estava cheio de vozes, bancos arrastando e o cheiro forte de carne assada.
Quando Jaime Lannister entrou, parte do barulho diminuiu.
Não completamente.
Mas o suficiente.
Ele percebeu.
Jaime caminhou pelo salão com passos calmos, o olhar vagando pelas mesas longas. Algumas conversas cessaram quando ele passou. Outras continuaram, mas com olhares rápidos lançados em sua direção.
Nortistas.
Eles lembravam.
O homem que matou um rei.
O homem que lutou contra suas casas.
O homem que marchou com os Lannister.
Ele segurava a bandeja de madeira com uma tigela simples de ensopado e um pedaço de pão duro. Nada de vinho caro, nada de pratos de ouro.
Só comida de soldado.
Era justo.
Jaime observou uma mesa onde alguns homens conversavam baixo. Quando percebeu que ele se aproximava, um deles deslocou o banco alguns centímetros — não o suficiente para convidá-lo.
Suficiente para deixar claro.
Jaime parou.
Por um momento, o antigo Jaime teria feito um comentário sarcástico. Teria provocado. Talvez até arrancado o banco de alguém.
Mas aquele homem ficara para trás.
Ele apenas continuou andando.
No fundo do salão havia uma mesa quase vazia, ocupada apenas por dois soldados que falavam sobre a patrulha da manhã. Eles olharam para ele, tensos.
Jaime puxou o banco e sentou-se sem pedir permissão.
O silêncio pesou por alguns segundos.
Ele começou a comer.
Sem olhar para ninguém.
Sem pedir aprovação.
A comida era quente e simples. Melhor do que merecia, talvez.
Depois de algumas colheradas, ele ergueu os olhos e encarou a longa mesa cheia de guerreiros do Norte.
Eles podiam odiá-lo.
Provavelmente odiavam.
Mas quando o exército dos mortos chegasse, ele estaria na muralha com todos eles.
Espada em mão.
E, pela primeira vez na vida, não lutaria por um rei.
Nem por uma casa.
Lutaria para tentar ser o homem que deveria ter sido desde o começo.