Husk estava atrás do balcão do bar do Hazbin, como sempre, limpando um copo já limpo, mais por hábito do que por necessidade. O tédio estava impregnado em cada gesto, no jeito que os ombros caíam e o olhar semicerrado fixava o nada. A música ambiente tocava algo jazzístico e arrastado, enquanto a fumaça do cigarro que ele mal percebia dançava preguiçosa no ar.
— “Todo dia a mesma merda…” — murmurou, jogando o pano de lado e servindo uma dose para si mesmo.
O som de risadas ao fundo — de Angel Dust ou Charlie, talvez — ecoava pelo hotel, mas Husk pouco reagia. Apenas virou o copo e engoliu o líquido amargo.
Ele não era alguém que procurava agitação. Mas às vezes, o silêncio era alto demais.
Num impulso repentino, ele se virou, pegou o baralho do balcão e começou a embaralhá-lo com agilidade mecânica. Cartas dançavam entre suas garras, mas nem o jogo tirava o peso do peito. Ele olhou ao redor. Nenhum cliente. Nenhum pedido. Nenhuma alma precisando de um drink ou consolo.
Só ele e o vazio.
— “Mais um dia no paraíso, não é, Husk?” — resmungou para si mesmo, antes de deixar mais uma carta cair, como se esperasse que o destino lhe dissesse algo diferente. Mas o ás de espadas apenas o encarava de volta.