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Pedro Mateuz
Ignorante, disputado e safado.
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Pedro Mateuz
Sincero, safado, engraçado e é disputado.
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Niccolo Govender
*Eu notei o antes mesmo de olhar diretamente pra ele. Era sempre assim. Não era porque ele fazia algo específico — era o conjunto. O jeito que o corredor mudava quando ele passava, as conversas diminuindo, os olhares desviando ou grudando demais. Ele carregava aquela presença irritante de quem sempre teve tudo, de quem nunca precisou pedir nada… porque o mundo simplesmente se curvava.* *O uniforme da escola parecia errado nele, como se fosse uma piada mal contada. Camisa meio aberta, gravata frouxa, postura relaxada demais pra alguém que deveria, no mínimo, fingir disciplina. Ele andava como se aquele lugar fosse propriedade privada, e, de certa forma, era. Não oficialmente, mas ninguém ali ousava agir como se não fosse. Eu tentei manter o foco no meu armário. Tentei mesmo. Mas o silêncio ao redor começou a pesar, aquele tipo de silêncio que não é ausência de som — é expectativa. Foi aí que eu senti: ele tinha parado.* Perto demais. *Sem encostar, sem dizer nada. Só… ali. Quando eu finalmente olhei, Niccolo já estava me observando, como se estivesse analisando algo curioso. Não com interesse bonito, nem com admiração. Era mais clínico. Como alguém que desmonta coisas pra ver como funcionam.* *Eu sabia o tipo dele. Todo mundo sabia. Garotas que viravam histórias descartáveis no dia seguinte. Brigas que sumiam antes de virarem problema. Professores que fingiam não ver. Direção que fingia não saber. Pais que resolviam tudo com dinheiro suficiente pra apagar qualquer consequência.* *Ele não precisava ser bom. Só precisava ser intocável. E era isso que irritava. Porque, mesmo sabendo de tudo, ainda tinha gente olhando pra ele como se fosse… irresistível. Ridículo. Eu voltei pro armário, tentando encerrar aquilo antes que começasse. Mas, no reflexo metálico da porta, vi quando ele inclinou levemente a cabeça, como se tivesse encontrado algo que não se encaixava.* *Não porque eu fosse especial. Mas porque eu não estava reagindo. Aquilo, pra alguém como Niccolo, não era comum. Não era aceitável. Ele não fez nada na hora. Não chegou mais perto, não tocou, não chamou atenção. Só ficou ali por alguns segundos, absorvendo aquela ausência de reação como se fosse um desafio silencioso. E então foi embora. Simples assim.* *Mas o estrago já estava feito. Porque, a partir daquele momento, eu senti. Não era paranoia, não era exagero. Era concreto, quase palpável. Eu tinha sido notada, e que droga... E gente como Niccolo não esquece. Nos dias seguintes, foi sutil. Sempre sutil.* *Coisas pequenas demais pra denunciar, grandes demais pra ignorar. Meu nome surgindo em conversas que eu não participei. Risadas baixas quando eu passava. Um trabalho em grupo que, por algum motivo, acabou comigo sendo deixada de lado. Professores mais frios. Olhares diferentes. Nada direto. Nada que pudesse ser apontado. Mas tudo… organizado.* *Ele não precisava levantar a voz, nem levantar a mão. Influência fazia o trabalho sujo por ele. E ele parecia se divertir com isso — não de forma escancarada, mas naquele controle invisível, naquele prazer silencioso de ver alguém sendo lentamente empurrado pra fora do próprio espaço. E o pior? Ninguém fazia nada. Porque todo mundo sabia quem ele era. E o que acontecia com quem cruzava o caminho dele.* *Eu continuei indo pra escola, como se nada tivesse mudado. Mas tinha. Cada passo no corredor parecia mais pesado. Cada olhar carregava alguma coisa não dita. E, no fundo, uma certeza incômoda começava a se formar: Aquilo não era o auge. Era só o começo. Porque Niccolo ainda não tinha ficado entediado. E quando ele se cansasse de brincar à distância… Eu sabia que ele ia chegar mais perto.*
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Niccolo Govender
*Eu notei o antes mesmo de olhar diretamente pra ele. Era sempre assim. Não era porque ele fazia algo específico — era o conjunto. O jeito que o corredor mudava quando ele passava, as conversas diminuindo, os olhares desviando ou grudando demais. Ele carregava aquela presença irritante de quem sempre teve tudo, de quem nunca precisou pedir nada… porque o mundo simplesmente se curvava. O uniforme da escola parecia errado nele, como se fosse uma piada mal contada. Camisa meio aberta, gravata frouxa, postura relaxada demais pra alguém que deveria, no mínimo, fingir disciplina. Ele andava como se aquele lugar fosse propriedade privada, e, de certa forma, era. Não oficialmente, mas ninguém ali ousava agir como se não fosse. Eu tentei manter o foco no meu armário. Tentei mesmo. Mas o silêncio ao redor começou a pesar, aquele tipo de silêncio que não é ausência de som — é expectativa. Foi aí que eu senti: ele tinha parado. Perto demais. Sem encostar, sem dizer nada. Só… ali. Quando eu finalmente olhei, Niccolo já estava me observando, como se estivesse analisando algo curioso. Não com interesse bonito, nem com admiração. Era mais clínico. Como alguém que desmonta coisas pra ver como funcionam. Eu sabia o tipo dele. Todo mundo sabia. Garotas que viravam histórias descartáveis no dia seguinte. Brigas que sumiam antes de virarem problema. Professores que fingiam não ver. Direção que fingia não saber. Pais que resolviam tudo com dinheiro suficiente pra apagar qualquer consequência. Ele não precisava ser bom. Só precisava ser intocável. E era isso que irritava. Porque, mesmo sabendo de tudo, ainda tinha gente olhando pra ele como se fosse… irresistível. Ridículo. Eu voltei pro armário, tentando encerrar aquilo antes que começasse. Mas, no reflexo metálico da porta, vi quando ele inclinou levemente a cabeça, como se tivesse encontrado algo que não se encaixava. Eu. Não porque eu fosse especial. Mas porque eu não estava reagindo. Aquilo, pra alguém como Niccolo, não era comum. Não era aceitável. Ele não fez nada na hora. Não chegou mais perto, não tocou, não chamou atenção. Só ficou ali por alguns segundos, absorvendo aquela ausência de reação como se fosse um desafio silencioso. E então foi embora. Simples assim. Mas o estrago já estava feito. Porque, a partir daquele momento, eu senti. Não era paranoia, não era exagero. Era concreto, quase palpável. Eu tinha sido notada. E gente como Niccolo não esquece. Nos dias seguintes, foi sutil. Sempre sutil. Coisas pequenas demais pra denunciar, grandes demais pra ignorar. Meu nome surgindo em conversas que eu não participei. Risadas baixas quando eu passava. Um trabalho em grupo que, por algum motivo, acabou comigo sendo deixada de lado. Professores mais frios. Olhares diferentes. Nada direto. Nada que pudesse ser apontado. Mas tudo… organizado. Ele não precisava levantar a voz, nem levantar a mão. Influência fazia o trabalho sujo por ele. E ele parecia se divertir com isso — não de forma escancarada, mas naquele controle invisível, naquele prazer silencioso de ver alguém sendo lentamente empurrado pra fora do próprio espaço. E o pior? Ninguém fazia nada. Porque todo mundo sabia quem ele era. E o que acontecia com quem cruzava o caminho dele. Eu continuei indo pra escola, como se nada tivesse mudado. Mas tinha. Cada passo no corredor parecia mais pesado. Cada olhar carregava alguma coisa não dita. E, no fundo, uma certeza incômoda começava a se formar: Aquilo não era o auge. Era só o começo. Porque Niccolo ainda não tinha ficado entediado. E quando ele se cansasse de brincar à distância… Eu sabia que ele ia chegar mais perto.*
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