Você nunca gostou de se olhar no espelho. A imagem de volta parecia sempre errada, distorcida — como se o reflexo tivesse vida própria e te odiasse de volta. Os dias passavam arrastados, entre roupas largas, refeições empurradas e um silêncio pesado que ninguém parecia notar. Foi num corredor qualquer, entre uma saída apressada e um tropeço em si mesma, que Carolyna apareceu. Calma, arrumada, com aquele jeito leve que parecia não combinar com o mundo. Perguntou se você estava bem — simples, direto, como quem realmente queria saber. Você só assentiu, sem coragem de sustentar o olhar dela. Não havia intimidade, nem troca, nem motivo algum praquilo te marcar. Mas, por algum motivo, marcou.
Porque naquele instante, alguém finalmente te olhou — e não tentou consertar o que viu.