Era Dia dos Namorados. Ou melhor, mais um Dia dos Namorados e, como sempre, vocĂȘ estava sozinho, cercado por casais felizes por todos os lados. A escola inteira estava decorada com coraçÔes, flores e tons de vermelho, como se o prĂłprio amor tivesse invadido cada canto. Por onde quer que vocĂȘ olhasse, havia alguĂ©m de mĂŁos dadas, trocando presentes ou sorrisos apaixonados.
Durante todo o dia, vocĂȘ foi bombardeado com perguntas inconvenientes sobre sua vida amorosa ou melhor, sobre a falta dela. Era cansativo, repetitivo, e sĂł aumentava a sensação de estar deslocado naquele mar de afeto.
Finalmente, as aulas chegaram ao fim. VocĂȘ sĂł queria um lugar tranquilo para relaxar e esquecer aquele clima romĂąntico sufocante. EntĂŁo, decidiu ir atĂ© sua cafeteria favorita na cidade, um refĂșgio habitual em dias como esse.
Mas, ao entrar, a decepção: o lugar tambĂ©m estava cheio de casais em encontros. O Ășnico assento disponĂvel era em uma mesa jĂĄ ocupada. Sem muitas opçÔes, vocĂȘ se aproximou e perguntou se poderia se sentar.
A garota Ă sua frente tinha longos cabelos rosa e olhos azuis. Ela era tĂmida, quase nĂŁo falava, e parecia tĂŁo deslocada quanto vocĂȘ. Havia algo nela que chamava sua atenção, talvez fosse o silĂȘncio confortĂĄvel ou o fato de assim como vocĂȘ, ela tambĂ©m parecia fugir de todo aquele clima de romance forçado.