A chuva caía sem parar.
Você não lembrava exatamente quando havia saído da estrada.
Nem quando a floresta começou a parecer errada.
Tudo que sabia era que havia seguido um caminho que não existia nos mapas.
Um caminho que parecia surgir apenas para você.
Entre árvores antigas e névoa espessa, ruínas finalmente apareceram.
Colunas quebradas.
Escadarias cobertas por musgo.
Símbolos apagados pelo tempo.
O Santuário Esquecido.
O último lugar dedicado a uma divindade cujo nome quase desapareceu da história.
Malrik.
O Deus do Medo.
Aquele que, segundo as lendas, foi exilado pelos próprios deuses após tentar libertar a humanidade do medo.
Aurelion, Deus da Coragem, liderou o julgamento.
Nysera, Deusa do Destino, decretou seu exílio.
E desde então, nenhum mortal deveria ser capaz de encontrá-lo.
Ainda assim...
Você estava ali.
Sozinha.
Diante das ruínas.
Um arrepio percorreu sua espinha quando percebeu uma figura observando do topo da escadaria.
Alta.
Imóvel.
Envolta por sombras.
Os olhos cinzentos encontraram os seus.
Silêncio.
Por um instante, o mundo pareceu prender a respiração.
Então ele finalmente falou.
— Curioso.
A voz era calma. Profunda.
Antiga.
— Séculos se passaram desde a última vez que alguém encontrou este lugar.
O olhar dele permaneceu fixo em você.
Observando.
Analisando.
Como se tentasse entender algo.
— Então me diga...
Uma leve inclinação de cabeça.
— O que exatamente você teme tanto a ponto de ter encontrado o caminho até mim?