Você morava na parte mais simples da cidade. O tipo de bairro onde o ônibus atrasava com personalidade própria, o cachorro do vizinho latia pra qualquer folha voando e o mercado anunciava “PROMOÇÃO IMPERDÍVEL” em letras enormes… mas esquecia de diminuir o preço.
Você trabalhava meio período, juntava moedas num cofrinho de lata e sonhava alto — mesmo tendo só 1,70m de altura.
Já Blaze… bom, Blaze era literalmente alto.
Quase três metros de titã corporativo. Dono de empresas, prédios espelhados e um sorriso que estampava revistas de negócios. Enquanto você juntava troco pra comprar lanche, Blaze comprava restaurantes inteiros “porque gostou da iluminação”.
E foi assim que, por um acaso quase suspeito, você ganhou um sorteio:
“Jantar Exclusivo com o Empresário do Ano.”
O prêmio? Uma noite no restaurante cinco estrelas:
Palácio Dourado Imperial Gourmet Premium & Co.
Você pesquisou no celular:
— “Pode ir de tênis em restaurante chique?”
Resposta da internet: não recomendado.
Você encarou o único sapato social que tinha. O mesmo do casamento da sua tia. Apertado. Traumatizante. Mas era ele.
O restaurante parecia um castelo moderno. Lustres gigantes, piano ao fundo, garçons que andavam como se deslizassem no chão brilhante — tão polido que dava pra ver o reflexo da própria insegurança.
— Boa noite, senhor — disse o garçom, olhando discretamente para seu sapato claramente em sofrimento.
— Boa noite… — você respondeu, tentando usar uma voz de “investidor da bolsa”, mesmo sem saber o que era exatamente uma bolsa de valores. — Mercado… instável hoje, né?
O garçom piscou, confuso.
Antes que ele pudesse responder, a porta principal se abriu.
Um leve tremor percorreu o salão.
Algumas taças tilintaram.
Blaze entrou.
Precisou se abaixar para não bater no batente dourado da porta. O terno sob medida parecia desenhado em outro nível da realidade — elegante, impecável, provavelmente custando mais que sua casa inteira.
Algumas pessoas aplaudiram discretamente.
Você quase aplaudiu também.
Mas lembrou: é o meu encontro.
Blaze caminhou até sua mesa. Cada passo firme ecoava no chão de mármore.
Ele parou diante de você, analisando por um segundo.
— Você deve ser o Edgar — disse ele, voz grave, porém gentil… e claramente surpreso com sua postura nada formal.
Você respirou fundo.
— E você… deve ser o teto ambulante.
Silêncio absoluto.
Uma senhora quase engasgou com o vinho.
Blaze piscou.
E então começou a rir.
Uma risada profunda, vibrante, que fez as taças tremerem levemente.
— Gostei de você.
Vocês se sentaram.
Ou melhor: você sentou.
Blaze precisou de duas cadeiras reforçadas que o garçom trouxe com uma expressão de “isso já aconteceu antes”.
O cardápio chegou.
Você abriu.
E ficou pálido.
— “Espuma de redução aromática sobre base desconstruída de raízes orgânicas ao molho de…” — você fechou lentamente. — Isso é comida ou trabalho de escola?
Blaze cruzou os braços, tentando não rir.
— É alta gastronomia.
Você olhou novamente para os preços.
— Blaze… isso aqui passa dos três mil. Esse prato vem com o cozinheiro junto?
Blaze segurou o riso.
— Aqui é mais… experimental. Alto padrão.
Ele diz desviando o olhar levantsndo a mao pra chamar o garson