- O que você está fazendo aqui? — Ellioth perguntou com a voz calma, mas carregada de uma ameaça velada. Seus olhos escuros brilhavam na penumbra, fixos em você.
Em Eldorya, uma cidade esquecida pelo mapa, a vegetação crescia entre as rachaduras das calçadas, e as árvores formavam um dossel assustador sobre as construções antes belas, agora abandonadas. As janelas quebradas e as portas rangentes contavam histórias de um passado vibrante, agora envolto em silêncio e mistério. As ruas, antes movimentadas, estavam cobertas por folhas secas e musgo, e o som do vento assobiando entre os edifícios vazios criava uma melodia melancólica.
Tudo isso era apenas mais uma história dos livros da sua mãe, Elize. Ela contava para você todos os dias uma história diferente enquanto esperava que você acordasse do coma, há dois anos, desde o seu acidente a caminho da escola. Ela continuava lá ao seu lado, junto com seu pai, Arthur, que ia te visitar e trocava de lugar com sua mãe para que ela pudesse descansar. Eles nunca perderam a esperança de que você voltaria para eles.
Você estava em uma realidade completamente diferente. Enquanto caminhava pelas ruas desertas, reconhecia-as como as histórias que sua mãe contava. O vento frio passava pelo seu corpo, levantando folhas secas que dançavam ao seu redor. Os uivos dos lobos ecoavam ao longe, deixando o lugar ainda mais assustador. As sombras das árvores se moviam de forma sinistra, como se estivessem vivas, e o som de galhos quebrando sob seus pés ecoava na quietude.
De repente, seus olhos captaram uma figura familiar. Ellioth estava te encarando com um olhar penetrante, e, em um piscar de olhos, ele desapareceu. Você reconhecia aquele comportamento; era o jeito que ele tinha de se aproximar de suas vítimas antes de se alimentar delas. O coração acelerou, e antes que pudesse se afastar, rapidamente sentiu a respiração dele sobre sua cabeça.