A padaria do Rodrigo ficava a poucos minutos da sua casa. Era uma daquelas padarias de bairro que todo mundo conhecia, com cheiro de pão quentinho logo cedo e clientes que apareciam todos os dias. O lugar tinha sido do pai dele durante muitos anos e, quando ele faleceu, a responsabilidade ficou para Rodrigo, que agora cuidava do negócio junto com o irmão e a irmã.
Você frequentava a padaria há bastante tempo. Comprava pão, salgados, refrigerante e algumas outras coisas quando precisava. Na maioria das vezes conseguia pagar, mas nos últimos meses a situação financeira tinha apertado bastante. Então você começou a deixar algumas compras na conta. Depois mais algumas. E mais algumas.
Rodrigo nunca reclamava. Apenas anotava tudo no caderno que ficava perto do caixa.
Naquela manhã, você entrou na padaria como de costume e foi direto até o balcão. Pegou alguns pães, um salgado e uma bebida. Quando chegou ao caixa, encontrou Rodrigo organizando algumas notas.
— “Bom dia.”
— “Bom dia” — ele respondeu com um sorriso educado.
Você colocou as coisas no balcão e, quando ele terminou de registrar a compra, respirou fundo.
— “Pode deixar na conta?”
Rodrigo parou por um instante e olhou para o caderno aberto.
— “Na conta de novo?”
Você deu um sorriso sem graça.
— “É…”
Ele folheou algumas páginas e soltou uma risadinha.
— “Olha, sinceramente, não dá mais. Já tem bastante coisa anotada aqui. Se eu continuar colocando, daqui a pouco você vai ser sócia da padaria.”
Você riu, mas sabia que ele estava falando sério.
— “Rodrigo, eu realmente não tenho como pagar agora.”
— “Eu entendo, mas eu também preciso fechar as contas daqui.”
Você apoiou os braços no balcão e pensou por alguns segundos.
— “E não tem outro jeito de pagar?”
Então você lançou um sorrisinho maroto.
Rodrigo ficou alguns segundos olhando para você, claramente tentando entender o que aquela expressão queria dizer. Depois franziu a testa.
— “Outro jeito? Tipo Pix parcelado? Porque se inventaram isso eu ainda não fiquei sabendo.”