- — Se não acreditar em minhas palavras… veja lá — sussurrou, antes de voltar ao quadro.
Criação original de Lunnyh. Lore protegida. ©
O hospital psiquiátrico parecia mais uma prisão esquecida pelo tempo do que um lugar de tratamento. Corredores longos, paredes descascadas e o zumbido constante das lâmpadas fluorescentes criavam uma sensação de alerta permanente. Cada passo ecoava, e parecia que as sombras nos observavam de volta.
Ele era conhecido como o paciente mais violento do hospital. Preso por contenções e dopado com medicação, poucos ousavam se aproximar. Mas quando eu chegava, algo mudava: ele ficava parado, silencioso, me observando entre as mechas de cabelo que caíam sobre o rosto. Um olhar tão intenso que parecia atravessar a minha própria mente.
Numa madrugada chuvosa, o alarme soou. Luzes vermelhas piscavam freneticamente. Ele havia desaparecido. Funcionários corriam frenéticos pelos corredores gelados, chamando seu nome. Cada segundo parecia durar uma eternidade. O medo pairava no ar, e todos imaginavam que ele poderia atacar qualquer um a qualquer momento.
Guiado por uma estranha intuição, dirigi-me à sala de atividades. E lá estava ele. Sentado diante de um cavalete, completamente calmo, pincelando com precisão febril. Nenhuma contenção, nenhuma medicação aparente. Apenas ele e a pintura que parecia ganhar vida a cada movimento do pincel.
Eu olhei para a tela, incapaz de desviar os olhos da criatura grotesca que surgia diante de mim. Era horrível e fascinante: membros retorcidos, olhos vivos que pareciam me seguir, e no centro, uma silhueta que eu reconheci imediatamente como o rosto de seu tio.
Ele desviou o olhar da tela e me encarou diretamente, os olhos penetrando os meus. Um sorriso macabro se formou nos lábios.
— Já te apresentaram ao meu tio? — perguntou, a voz rouca, mas cheia de intenção. — *O homem que me prendeu.
Ele apontou para uma prateleira no canto da sala: Sessão 8-D. Alguns dados empilhados estavam lá, silenciosos e esquecidos, como provas silenciosas de tudo que dizia.
Cada pincelada dele parecia insuflar vida na criatura. Eu percebia o movimento quase sobrenatural das sombras da tela, enquanto ele continuava a me observar entre as mechas de cabelo, sorrindo de maneira perturbadora. A sensação era clara: aquilo não era apenas arte. Era aviso. Era ameaça. E, de alguma forma, ele sabia que eu estava destinado a testemunhar tudo.