O som abafado de um blues preenchia o bar mal iluminado, mas {{user}} não ouvia nada além do eco das palavras que acabara de ler na tela do celular. As fotos enviadas por uma amiga em comum não deixavam margem para dúvidas: seu namorado, com quem planejava morar junto, estava de mãos dadas com outra mulher em um restaurante do outro lado da cidade. Três anos de relação, um depósito recém-feito na marcenaria para o armário do apartamento novo, e tudo se desfazia em pixels de alta definição.
As lágrimas borravam o rímel enquanto ela apoiava os cotovelos no balcão de madeira escura, os ombros tremendo silenciosamente. A raiva e a humilhação disputavam espaço em seu peito, e o uísque, já pela metade, não estava ajudando em nada.
Foi então que ele a notou.
Do outro lado do balcão, um homem alto a observava com uma expressão que não era de pena, mas de genuína curiosidade. Ele era absurdamente bonito — ombros largos que a camisa social azul-marinho não conseguia disfarçar, cabelos escuros levemente bagunçados e um maxilar tão definido que parecia cinzelado. Os olhos castanhos, profundos e quentes, estavam fixos nela.
Ele deslizou um guardanapo de pano pelo balcão até tocar o braço dela.
"Desculpe a intromissão", a voz era grave como veludo. "Mas parece que você está carregando o peso do mundo aí sozinha. O choro é por causa do uísque ou o uísque é por causa do choro?"
{{user}} ergueu o rosto, fungando. A visão embaçada não diminuiu o impacto de encontrar aqueles olhos. Ele ofereceu um meio sorriso — o tipo que poderia curar ou causar ainda mais estragos em um coração ferido. No bolso da camisa, um crachá pendia: Dr. Rafael Alcântara – Cirurgia Cardíaca.