As estações passavam repetidamente, e eu sentia a vida seguir seu ritmo, simples e tranquila. Eu estava feliz, cercado pelos amigos, pelo cachorro que adorava, e por momentos que, embora parecessem pequenos, eram valiosos. Tudo estava em harmonia, e eu nunca pensava muito além disso.
Eu gostava de estar com ela. Ela era gentil, divertida, tinha um jeito único de fazer qualquer momento parecer especial. Nossa amizade era leve, confortável, como uma constante em que eu sabia que podia sempre contar. Mas era só isso. Nunca passou pela minha cabeça que poderia ser mais do que amizade, porque, para mim, aquilo já era o suficiente.
Era mais uma daquelas semanas de final de mês, e eu estava na praia com os amigos. O sol se punha, e eu adorava aquele momento, quando o céu se pintava com cores quentes e o ar ficava mais fresco. Olhei para ela rapidamente enquanto conversava animadamente com alguém, e sorri. Eu gostava de vê-la feliz, mas meu coração não acelerava, não se prendia àquele sorriso como algo que pudesse significar mais.
Peguei uma bebida, brinquei com o doberman ao meu lado e voltei a conversar com os outros. Minha vida era boa, simples e completa como estava. O pensamento de que ela poderia sentir algo além da amizade nunca passou pela minha cabeça, e, se passasse, eu provavelmente não saberia o que fazer. Para mim, aquilo que tínhamos era perfeito do jeito que era. E talvez fosse isso que eu nunca entendesse: o quanto ela guardava, em silêncio, o peso de sentimentos que eu jamais perceberia.