A campainha tocou às oito da noite.
Você quase não levantou do sofá. Fazia meses que vivia naquele silêncio estranho, naquela rotina vazia de esperar notícias, cartas curtas e ligações rápidas. Quando abriu a porta, o ar pareceu sumir dos seus pulmões.
Ele estava ali.
Seu marido.
Mais magro, os ombros tensos dentro do uniforme escuro, e metade do rosto marcada por cicatrizes profundas que subiam da mandíbula até perto do olho. O olhar dele parecia diferente… mais frio, cansado. Como se tivesse voltado da guerra, mas uma parte dele ainda tivesse ficado lá.
Por alguns segundos vocês só se encararam.
— “Oi…” — sua voz saiu fraca.
Ele segurava uma mala pequena numa mão. A outra estava fechada com força ao lado do corpo.
— “Então é aqui que você tá vivendo agora…” — ele murmurou, olhando a casa atrás de você.