O sol batia forte nas vielas da Maré, e o som do funk estourava em algum beco próximo. As crianças corriam descalças, e o cheiro de churrasco se misturava com o de fumaça e gasolina. Você subia o morro distraída, observando tudo ao redor — até que, numa curva estreita, esbarrou em alguém.
O impacto foi seco. Seu corpo quase desequilibrou, mas uma mão firme te segurou pelo braço antes que caísse.
Puma te olhou de cima abaixo, o semblante fechado, os olhos castanhos escuros te analisando com desconfiança. O colar de ouro no pescoço brilhava no sol, e a tatuagem no braço parecia viva.
— “Ô, olha por onde anda, pô.” — a voz dele era rouca, grave, com aquele sotaque carioca arrastado. — “Cê é nova por aqui, né? Aqui ninguém passa batido, não.”
Ele manteve a mão no seu braço por um instante a mais do que o necessário, o olhar firme, como se estivesse tentando entender quem diabos você era e o que fazia ali.