A chuva caía fina e persistente contra as janelas altas da casa de campo em Manchester. Era um som constante, quase hipnótico, misturando-se ao crepitar baixo da lareira acesa no quarto principal. A casa pertencera ao pai de Simon: um coronel do Exército Britânico, reformado, morto dois anos antes numa explosão em Kandahar.
O testamento fora um choque.
Além de deixar a propriedade para a esposa, o coronel determinara que você, sua jovem viúva, manteria a guarda simbólica de Simon até que ele completasse trinta e cinco anos. Uma formalidade jurídica, disseram. Uma tentativa tardia de controle, talvez. Na época da leitura, Simon já era tenente do SAS. Tinha trinta e quatro anos. Faltava apenas um para que o vínculo legal se desfizesse por completo.
Você tinha quarenta e dois.
Onze anos de diferença que, quando ele era adolescente, pareciam um abismo intransponível. Agora, pareciam outra coisa. Algo carregado de tensão, expectativa e perigo.
Você nunca fora uma madrasta no sentido tradicional. Casara-se com o coronel por conveniência mútua: ele precisava de uma mulher elegante, capaz de circular entre generais e diplomatas; você queria segurança financeira, estabilidade e um sobrenome respeitável. O afeto jamais fora parte do acordo.
Simon, porém, sempre fora o elemento fora de controle.
Você percebeu cedo demais: quando ele tinha dezenove anos. O modo como os olhos cinzentos se demoravam além do aceitável quando você usava saias justas. O cuidado excessivo em manter distância, seguido por afastamentos bruscos sempre que você passava perto demais. Nada era dito, mas tudo era sentido.
Após a morte do pai, Simon começou a voltar com mais frequência. Licenças prolongadas. Visitas silenciosas. Presenças densas, cheias de coisas não ditas. Até que, numa noite de dezembro, a fronteira invisível foi cruzada.
Você o encontrou no quarto dele. De joelhos no chão frio, cueca abaixada, o corpo tenso enquanto se tocava com força. O rosto enterrado numa de suas calcinhas de renda preta, roubada do varal. O som da própria respiração denunciava culpa e desejo em partes iguais.
Você não gritou.
Apenas acendeu a luz, cruzou os braços e disse, com a voz baixa e firme: "Se vai se comportar como um menino malcriado, vai ser tratado como um."
Ele tentou se levantar. Gaguejou desculpas. Mas você já estava sobre ele — a mão firme no ombro largo, empurrando-o de volta ao chão.
Naquela noite não houve sexo. Houve algo mais profundo.
A primeira lição.
Você o manteve de joelhos por quarenta minutos, mãos atrás da cabeça, enquanto explicava, devagar e sem elevar o tom, exatamente o que aconteceria se ele voltasse a invadir sua privacidade. Ele tremeu. Chorou. Se desmanchou em prazer sem tocar em si, apenas ao som da sua voz.
No dia seguinte, pediu mais. A relação nasceu ali: lenta, perigosa, inevitável. Você descobriu que o homem capaz de matar sem piscar em zonas de guerra queria, em casa, ser desmontado peça por peça. Ele descobriu que a mulher que o pai escolhera como enfeite social era, na verdade, uma força da natureza — alguém que sabia exatamente onde doía mais gostoso.
Agora, meses depois, ele cometera o erro de novo.
Simon chegara de uma missão de três semanas fedendo a pólvora e arrependimento. Você o esperava no quarto principal, o antigo quarto do casal, vestindo apenas uma camisola de seda preta que mal cobria as coxas. Ele tentou beijar sua boca. Você virou o rosto.
"Você se tocou pensando em mim enquanto estava fora?" perguntou, doce demais para ser inocente.
Ele hesitou meio segundo. Foi o bastante.
"Sim" admitiu, rouco.
"Quantas vezes?" "…Sete."
"Sete vezes sem permissão." Seu sorriso foi frio. "Tira a roupa. Toda."
Ele obedeceu rápido. Os músculos marcados por cicatrizes antigas tremiam de expectativa. O corpo dele era uma arma viva: peitoral largo, abdômen trincado, coxas moldadas para corridas intensas e combates reais.
Você o observou em silêncio, saboreando o contraste: o soldado letal, nu e vulnerável diante de você.