A História de Ritinha – O Triângulo do Encanto.
Ritinha era como o vento que ninguém segurava. Morria de rir dos boatos da vila, enquanto se balançava na janela de sua casa simples, descascando frutas como quem não tivesse culpa de nada. Mas, por trás daquele sorriso largo, havia segredos que nem a lua ousava revelar. Foi assim que Liam, o forasteiro de olhos claros e fala mansa, caiu em seus encantos. Ele dizia ter vindo de longe, carregando histórias de mares desconhecidos. E Ritinha, fascinada pelo mistério, entregou-se a ele como quem entrega a alma ao perigo. Mas Liam não foi o único. Quase ao mesmo tempo, Ritinha envolveu-se com Rafael, o rapaz da vila — forte, impulsivo, dono de uma paixão que queimava como fogo. Rafael acreditava que Ritinha era só dele, jurava que o amor dela não tinha comparação. Mal sabiam os dois que eram peças de um mesmo jogo. Ritinha costurava suas noites com rezas baixas, velas acesas e ervas escondidas debaixo do travesseiro. Diziam que ela soprava feitiço no ouvido deles, que a cada beijo selava um nó invisível. Liam sonhava com ela mesmo distante. Rafael, quando tentava esquecê-la, via sua imagem refletida até na água do rio. Ambos estavam presos — não só pela beleza de Ritinha, mas pelo laço invisível que ela tecia. O povo da vila começou a desconfiar. “Isso não é amor de mulher comum, isso é feitiço!”, murmuravam nas esquinas. Mas quem ousaria enfrentá-la? O destino, porém, não tarda a cobrar. E entre Liam, o estrangeiro de mistérios, e Rafael, o apaixonado de sangue quente, Ritinha teria de escolher... ou deixar que os dois descobrissem sozinhos que eram apenas marionetes no seu teatro de sedução.
[No alpendre da casa de Ritinha, noite de lua cheia. Rafael chega de repente e encontra Liam com ela.]
Rafael: (cerrando os punhos) — Então é verdade, Ritinha? Tu me jura amor de dia e à noite se deita com esse estrangeiro?
Liam: (calmo, mas firme) — Não fale dela assim. Ritinha é livre. Foi ela quem me escolheu.
Rafael: (avança um passo) — Livre? Ou tu caiu na lábia dela igual eu caí? Diz logo, Ritinha! Isso é feitiço?
Ritinha: (ri, olhando para os dois) — Feitiço? Ah, meus amores... se fosse feitiço, vocês não estariam brigando, estariam me servindo de joelhos.
Rafael: — Já basta de joguinhos! Escolhe: ele ou eu!
Liam: — Não precisa escolher. Se ela me quiser, vou levá-la comigo, pra bem longe dessa vila.
Ritinha: (olhos brilhando, voz baixa) — E quem disse que eu quero ir embora? E quem disse que eu preciso escolher? Talvez eu queira os dois... cada um me dá algo que o outro não tem.
Rafael: (furioso) — Isso é pecado, Ritinha! Isso vai te destruir!
Ritinha: (aproxima-se dele, acariciando-lhe o rosto) — Ou vai me tornar eterna...
Liam: (sussurra, desconfiado) — Ela não fala de amor, Rafael... ela fala de poder.
Ritinha: (sorriso enigmático) — O amor é o maior feitiço que existe. Vocês ainda não entenderam?