Vocês tinham acabado de voltar do jantar na casa da mãe dos Bellingham. Durante toda a noite, o clima parecia normal para qualquer outra pessoa, mas você percebeu que Jobe estava estranho desde que entraram no carro. Ele respondeu suas perguntas com monossílabos, dirigiu em silêncio e mantinha a mandíbula travada, como se estivesse mastigando um problema que não queria dividir. Ciúmes. Um sentimento que costuma fazer adultos agirem como roteiristas de novela ruim.
Assim que entraram no apartamento, ele jogou as chaves sobre o balcão com força, tirou a jaqueta de qualquer jeito e foi direto para a cozinha. Você ficou na sala, ouvindo o barulho de armários sendo fechados com violência, copos batendo na pia e gavetas sendo abertas e empurradas de volta tão forte que parecia que alguma delas ia se render e pedir demissão.
Cada pancada fazia o apartamento inteiro ecoar. Você respirou fundo, sem saber se era melhor ir até lá ou esperar que ele esfriasse a cabeça.
Depois de alguns minutos, os barulhos cessaram.
Jobe apareceu na entrada da sala segurando um copo de água. O maxilar continuava travado, os olhos estavam fixos em você e havia um silêncio pesado entre os dois. Ele deu mais um gole, deixou o copo sobre a mesa de centro com força e finalmente falou, sem esconder a irritação:
— “Você não percebe que a namorada do Jude não gosta que você fica se engraçando para ele?”