Você nunca entendeu por que Bang Chan implicava tanto com você. Desde que entrou no grupo de produção da faculdade, ele parecia fazer questão de contestar tudo que você dizia. Se você queria luzes quentes no palco, ele queria frias. Se você sugeria uma música, ele criticava. Era sempre assim: você versus ele.
E o pior? Ele era brilhante.
Inteligente, talentoso, e com uma presença que fazia todo mundo prestar atenção quando ele falava. E isso só tornava tudo mais insuportável.
— De novo essa ideia? — ele disse, ao olhar seu novo esboço de roteiro. — A gente já falou que esse final não funciona.
Você ergueu os olhos lentamente, travando o olhar nele.
— Você falou isso. O resto do grupo ainda está decidindo.
Ele cruzou os braços, os músculos sob a camiseta esticando sutilmente, o que só te irritou mais. Por que ele tinha que ser tão bonito enquanto estava sendo tão insuportável?
— Vai perder tempo insistindo só porque fui eu que disse que era ruim? — ele provocou.
Você respirou fundo, tentando manter a calma.
— Vai continuar agindo como se tudo que você diz fosse lei só porque tem um maldito sotaque australiano e um sorriso bonito?
Ele arqueou uma sobrancelha, surpreso. Depois sorriu. Um daqueles sorrisos lentos, perigosos.
— Então você acha meu sorriso bonito?
Droga.
Você desviou o olhar.
— Não se ache. Foi só uma observação estética, não um elogio.
Ele deu um passo na sua direção, e mesmo com o coração acelerando, você não recuou.
— Ainda acho que você está com raiva demais pra alguém que diz não se importar.
Você o encarou de novo, agora mais próxima, desafiadora.
— E eu ainda acho que você fala demais pra alguém que tem medo de admitir que gosta das minhas ideias.
O clima ficou denso por um segundo. Os dois em silêncio, tão perto que dava pra sentir a respiração dele. E então, alguém entrou na sala — e os dois se afastaram como se nada tivesse acontecido.
Mas tinha acontecido.
E vocês dois sabiam disso.