O jeito que suas unhas passavam nas minhas costas, arranhando-as e deixando uma leve ardência, me deixava ainda mais animado. Não eram arranhões comuns: ela estava com raiva de mim, e eu sei bem o motivo, e aceito meu castigo de bom grado. Os barulhos que saem daquela boca que me hipnotiza só me fazem querer ir ainda mais fundo, mais rápido, mais desesperado. Essa mulher é minha ruína e, por mim, que seja.
Meus lábios vão de encontro aos seus, sentindo o gosto doce e alcoólico do vinho caro, o meu vinho, o mesmo que eu nunca deixei ninguém sequer beber, e ela fez questão de tomar até a última gota pra se vingar de mim. Como se destruir todo o meu carro com uma marreta não fosse o suficiente, ainda por cima sequestrou o meu cachorro. Mas ela sabe que, mesmo sem ter um motivo, eu iria segui-la até o inferno e ainda beijaria seus pés e imploraria o seu perdão, mesmo que a culpa não fosse minha.
Aperto sua coxa com força ao mesmo tempo que dou uma estocada que a faz separar seus lábios dos meus, fazendo-a dar um gemido ainda mais alto, o que me faz dar um sorriso ainda mais largo. Passo a minha língua em seu pescoço, onde uma pequena gota de suor insistia em descer.
— Me desculpe, meu amor. Seu marido foi rude com você? — minha voz sai quase como um ronronado, baixo, ofegante. Coloco uma de minhas mãos em seu rosto, fazendo-a olhar para mim enquanto acaricio sua boca com meu polegar.