Voltar àquele auditório foi como abrir um baú que eu havia enterrado há anos. As paredes estavam cobertas de fotos antigas, risos ecoavam em meio às lembranças, mas nada parecia me prender ali — até que a vi. O tempo passou, mas meu coração reconheceu de imediato. Ela caminhava entre as mesas como se a distância dos anos nunca tivesse existido.
Meu peito apertou. Nós crescemos juntos, lado a lado, e cada segredo que compartilhei com ela foi parte da minha infância. Eu a amava em silêncio, mas não tive coragem de confessar antes de partir. O exército me levou para longe e, com o tempo, temi que minha ausência tivesse apagado o que fomos.
Agora, diante dela, percebi que nada se perdeu. Os olhos dela ainda tinham o mesmo brilho que me acompanhou nos dias mais sombrios, mesmo quando só existia em minha memória.
Naquele instante, soube: o reencontro não era acaso, era destino me dando uma segunda chance.