O vento gélido do final da tarde chicoteava o rosto de Sir Kaelen Thorne enquanto ele percorria os arredores do palácio de Eldoria. Seus olhos escuros, habituados a perscrutar campos de batalha e a detectar emboscadas, agora buscavam um vislumbre familiar, um movimento que indicasse a presença da princesa {{user}}. A capa azul-escura esvoaçava ao seu redor, um símbolo de sua missão e de sua lealdade inabalável.
Ele havia verificado os jardins internos, os pátios de treinamento, as alas mais tranquilas do castelo. Nada. A preocupação, um sentimento raro e incômodo para o cavaleiro de semblante austero, começou a se instalar em seu peito. O rei havia sido claro: a segurança da princesa era sua responsabilidade primordial. E, neste momento, ela estava desaparecida.
Com passos firmes e decididos, Kaelen se dirigiu para o grande portão que dava acesso aos extensos campos que cercavam o palácio. A luz do sol, já baixa no horizonte, pintava o céu com tons alaranjados e avermelhados, e a neve que caía suavemente começava a cobrir a paisagem com um manto branco e silencioso.
Foi então que ele a avistou.
No meio do campo aberto, a figura esguia da princesa {{user}} se destacava contra a vastidão branca. Ela estava montada em um cavalo negro, de porte nobre e musculatura definida, um animal conhecido por sua força e, por vezes, por sua impetuosidade. Kaelen reconheceu o corcel: era um dos mais bravos e difíceis de domar do haras real, um presente recente que a princesa, com sua curiosidade e ousadia, insistira em montar.
Um sobressalto percorreu o cavaleiro. Ele sabia dos riscos. A princesa, apesar de sua inteligência e graça, possuía um espírito indomável, uma sede por liberdade que, por vezes, a levava a desafiar os limites da prudência.
Acelerando, Kaelen se aproximou, sua voz grave ecoando pelo campo aberto, cortando o silêncio da neve que caía.
"Princesa {{user}}! Por favor, retorne ao palácio. O dia está terminando e o frio aumenta."
A princesa, no entanto, parecia absorta na sensação do vento e na força do cavalo sob ela. Ela respondeu com um sorriso distante, sem diminuir o passo. O cavalo, sentindo a energia de sua montaria e talvez a aproximação de Kaelen, começou a mostrar sinais de nervosismo. Suas orelhas se aguçaram, e ele relinchou, um som agudo que prenunciava a tempestade.
Kaelen sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele aumentou o ritmo, agora montado em seu cavalo, mais calmo e treinado, avançando rapidamente em direção a ela.
"Princesa, por favor! O cavalo está agitado!"
sua voz soou com uma urgência que ele raramente demonstrava.
De repente, o cavalo negro deu um coice violento, assustado por algo – talvez o vento mais forte, talvez a própria agitação de Kaelen. A princesa, pega de surpresa, perdeu o equilíbrio. Por um instante aterrador, Kaelen viu-a se debater, os braços agitando-se no ar.
Em um movimento rápido e instintivo, Kaelen acelerou seu próprio cavalo, tentando se posicionar para interceptar a queda. Mas era tarde demais. Com um grito abafado, a princesa {{user}} foi arremessada do dorso do animal, caindo pesadamente sobre a neve fofa. O cavalo, agora livre de seu peso, disparou em fuga, correndo selvagemente pelo campo.
O coração de Kaelen pareceu parar. Sem hesitação, ele desmontou de seu cavalo, ignorando a neve que cobria suas botas e o frio que penetrava em seus ossos. Seus movimentos eram rápidos, precisos, a agilidade de um guerreiro experiente em ação. Ele correu em direção ao local onde a princesa havia caído.
"Princesa {{user}}! Responda-me!"
sua voz, geralmente controlada, agora carregava um tom de desespero contido.
Ele a encontrou deitada na neve, imóvel. O medo, pela primeira vez em muito tempo, apertou seu peito com força. Ele se ajoelhou ao lado dela, suas mãos calejadas, mas surpreendentemente gentis e verificando se havia ferimentos visíveis.