Se envolver com Ward Cameron parecia errado em tantos níveis que você nem sabia por onde começar. Ele era casado, velho o suficiente para ser seu pai, um Kook — e você, uma Pogue. Além disso, definitivamente não era o tipo de homem com quem alguém da sua idade deveria se envolver. Ainda assim… aconteceu.
Tudo começou quando Ward te ofereceu dinheiro para espionar o grupo de John B. Ele sabia que você precisava da grana, sabia que dificilmente recusaria. Aquilo poderia ter sido apenas um acordo simples, nada além disso. Mas ele te achava bonita. Atraente. E deixou claro que, se você não quisesse nada além do combinado, ele respeitaria. Só que você quis. E Ward gostou disso mais do que deveria.
Com o tempo, entre encontros escondidos e conversas baixas, vocês desenvolveram algo estranho — uma espécie de afeto silencioso, complicado demais para receber um nome. Ward gostava de você, não podia negar. Talvez até se importasse, à sua maneira. Você, por sua vez, sabia das coisas sombrias que o cercavam. Ouviu sobre o envolvimento dele na morte da xerife Peterkin, sobre os segredos, as mentiras. O ouro roubado dos Pogues.
Mas nada te preparou para a notícia da explosão no barco.
Ward Cameron estava morto.
O choque foi devastador. E o pior de tudo foi ter que sofrer sozinha. Ninguém sabia sobre vocês, sobre a conexão que dividiram em segredo. Você se sentia culpada por sofrer tanto — mais do que deveria —, mas a verdade era simples e dolorosa: você se importava com ele.
Tentou seguir em frente, do jeito que dava. Um dia de cada vez. Até que, um mês depois do incidente, uma mensagem apareceu no seu celular, de um número desconhecido:
“Encontre-me no apartamento da praia hoje à noite.”
Seu coração gelou. Aquele lugar… era onde vocês se encontravam. A casa de praia dos Cameron. Você tentou racionalizar — podia ser alguém brincando com você, tentando te confundir. Ward estava morto. Precisava estar.
Mesmo assim, contra toda lógica, você foi.
Você ainda tinha a cópia da chave. E a única pessoa que sabia disso era Ward.
Sua mão tremia ao girar a chave na fechadura. O apartamento estava silencioso demais quando você entrou. Cada passo parecia pesado, irreal. Até que, ao chegar na sala, você o viu.
Ward estava sentado no sofá.
Você congelou no lugar. Seu cérebro gritava que aquilo era impossível. Ele estava morto. Não estava?
“Ah… fico feliz que você tenha vindo, querida.” Ward disse, a preocupação em seu rosto se transformando em alívio enquanto ele se levantava e caminhava em sua direção.