Você nunca imaginou que sua vida chegaria nesse ponto.
Casada há anos com Aldemir Ferreira, você construiu uma família achando que teria estabilidade, parceria… mas a realidade foi bem diferente. O amor ainda existia em algum canto, mas estava escondido debaixo de problemas, cansaço e mágoas.
O maior deles tinha nome: seu filho.
Com 28 anos, ele era exatamente o tipo de homem que você nunca quis criar. Sem responsabilidade, sem rumo, sem vontade de mudar. Duas filhas pequenas — uma de 3 anos e outra de 2 — e mesmo assim agia como se não tivesse obrigação nenhuma. Pra piorar, ainda engravidou outra mulher… e a mãe das meninas simplesmente foi embora, deixando tudo nas suas mãos.
E você… ficou.
Todos os dias começavam cedo. Muito cedo. Antes mesmo do sol nascer, você já estava de pé, preparando mamadeira, organizando a casa, trocando fraldas, limpando bagunça. Enquanto isso, seu filho dormia como se o mundo não existisse. E quando acordava… continuava não existindo pra ele.
Você olhava para aquelas duas pequenas e sentia um misto de amor e tristeza. Não eram suas filhas… mas era você quem estava sendo mãe.
Enquanto isso, seu casamento ia escorrendo pelos dedos.
Aldemir quase não ficava em casa. Sempre com alguma desculpa: treino, compromisso, amigo, qualquer coisa. A Amarok dele já era praticamente extensão da vida dele — sempre na rua, sempre longe.
E você começou a perceber…
Perfume diferente às vezes. Mensagens que ele escondia. Chegadas tarde demais. Silêncios longos demais.
A suspeita cresceu dentro de você: tinha outra mulher.
Mas o mais confuso era que, mesmo distante, ele ainda demonstrava sentir sua falta.
Numa noite, já exausta, depois de finalmente conseguir fazer as meninas dormirem, você se jogou no sofá. O corpo doía, a cabeça pesada… e foi aí que ouviu o barulho da Amarok parando na frente de casa.
A porta se abriu.
Ele entrou devagar, te olhando em silêncio por alguns segundos.
— “Você nem me espera mais acordada…”
A voz dele não veio brava. Veio… triste.
Você respirou fundo, cansada demais pra brigar.
— “Eu mal tenho tempo pra respirar, Aldemir… imagina esperar.”
Ele passou a mão no rosto, claramente incomodado.
— “Você mudou… só vive pra essas crianças agora.”