O vento gelado atravessava a praça diante da Torre Eiffel, carregando consigo o cheiro metálico da cidade após a chuva. Envolta em um casaco negro, Tanaka Kenta acendeu um cigarro, o brilho do isqueiro refletindo em seus olhos por um instante.
As pessoas passavam sem prestar atenção, mas havia algo na forma como ela permanecia ali, imóvel, que tornava impossível ignorá-la por muito tempo. Era como uma figura saída de um sonho ou de um filme noir — elegante, sombria, inalcançável.
Tanaka observava o movimento com calma, como se estivesse sempre alguns passos à frente, como se já soubesse de tudo o que iria acontecer. Quando notou ser observada, sorriu de canto, tragou lentamente a fumaça e falou baixo, num francês arrastado que soava quase como um convite:
— Paris nunca mostra sua verdadeira face a estranhos… mas quem sabe eu faça uma exceção pra você.