Você e Luiz Araújo eram casados havia anos. Duas filhas lindas, rotina organizada, fotos felizes espalhadas pela casa. Por fora, tudo parecia perfeito demais. Por dentro… você sentia. Aquela intuição silenciosa que não grita, mas não erra.
O nome surgiu quase por acaso: Ingrid. Uma mensagem vista rápido demais, um nome repetido em conversas vagas, um sorriso que aparecia quando ele achava que você não estava olhando. Você desconfiava de tudo — mas fingia não saber de nada. Observava. Guardava. Esperava.
Luiz, por sua vez, agia como sempre. Beijos rápidos, perguntas sobre as meninas, a mesma voz tranquila. Nenhuma mudança brusca. Nenhuma culpa visível. Ele era bom nisso.
Naquela noite, ele já estava deitado na cama, encostado na cabeceira, assistindo a um jogo na televisão. A luz azulada da tela iluminava o rosto dele, sereno demais. Você entrou no quarto em silêncio, ainda arrumando algumas coisas antes de dormir. Dobrou uma blusa, colocou um objeto no lugar, respirando fundo.
Vestia um pijama de renda rosa com preto. Confortável, delicado — quase irônico diante do turbilhão que carregava por dentro.
Luiz nem tirou os olhos da TV quando falou, num tom absolutamente normal:
— “O jogo tá bom hoje… você viu?”