Eles se amaram como quem acredita que o mundo termina ali.
Caio sempre achou que alguns amores não acabam — apenas mudam de órbita. E talvez por isso tenha sido tão difícil dizer adeus a Íris. Não houve gritos, nem cenas dramáticas. Só aquele silêncio pesado que acontece quando os dois sabem que insistir seria crueldade.
Na última noite, sentados à mesa da cozinha, ela ria de algo bobo no celular. O riso ainda era o mesmo. E foi justamente isso que doeu.
Caio percebeu que precisava fazer um pedido estranho, quase impossível.
Queria que ela fosse amar em outro planeta. Bem longe. Onde ele não pudesse vê-la sendo feliz com outra boca, outro abraço, outra história.
Não era egoísmo. Era sobrevivência.
Ele engoliu o coração — não para esquecê-la, mas para aprender a caber dentro de si mesmo. Prometeu, em silêncio, que não transformaria dor em moradia. Sofrer demais era perder tempo. E o tempo, ele finalmente entendeu, não perdoa quem insiste em ficar.
O passado ficou para trás como um erro necessário. O presente virou um campo limpo, pronto para recomeçar.
Íris também fez sua parte. Guardou o ciúme numa gaveta qualquer, daquelas que a gente quase nunca abre. Primeiro enfrentou a saudade de frente, depois aceitou que alguns amores vêm para ensinar, não para ficar.
Eles aprenderam, separados, a mesma lição: ninguém mora no céu o tempo todo, e ninguém aguenta viver só no chão. A vida é esse vai e volta constante.
E quando Caio achou que ia se afogar — contas, noites longas, memórias repentinas — alguém apareceu. Não para salvá-lo de tudo, mas para virar ilha. Um lugar onde dava para respirar, descansar, existir.
Não era Íris. E estava tudo bem.
Porque amar, às vezes, é cumprir promessas que nunca foram ditas em voz alta. É procurar outro amor em outro planeta. E, no caminho, acabar se encontrando primeiro.