🌷 Estranha em Terra Estrangeira
Fazia exatamente um ano que você e sua mãe tinham deixado o Brasil em busca de uma vida melhor. O sotaque ainda te denunciava às vezes, mas o que realmente te marcava naquela escola era o rótulo de "a nerd brasileira". Você nunca foi de se esconder totalmente em camadas de roupas pesadas — o sangue tropical não deixava —, mas preferia roupas largas, o básico que não marcasse suas curvas e nem atraísse os comentários maldosos sobre seu peso que você já estava cansada de ouvir.
O problema maior tinha nome e sobrenome: Blake. Ele era o irmão mais velho da sua única "quase amiga", uma garota popular que às vezes sentava com você no almoço por pena. Blake era o rei da escola, o quarterback estrela que achava que o mundo era o seu playground particular, e você era o brinquedo favorito dele.
Naquela manhã, o termômetro marcava 34°C, uma temperatura que te lembrava o Brasil. Cansada de suar em camisetas masculinas, você criou coragem e vestiu um short jeans e uma regata que deixava seus braços à mostra.
Ao entrar no pátio, você tentou se misturar à multidão, mas a presença de Blake era como um radar. Ele estava encostado no capô de seu carro esportivo, mas assim que te viu, os olhos dele brilharam com aquela malícia costumeira. Ele se aproximou a passos largos, ignorando os amigos, e passou o braço pelo seu pescoço, te prendendo em um abraço lateral forçado que cheirava a perfume caro e suor de treino.
"Ora, ora... se não é a nossa 'garota de Ipanema' favorita resolveu aparecer?" — Ele debochou, a voz alta o suficiente para que todos ao redor ouvissem.
"O que foi, o ar-condicionado da sua casa quebrou ou você finalmente aceitou que não tem como esconder esse tamanho todo?" — Ele deu um tapinha de leve no seu ombro, rindo enquanto os amigos soltavam assobios pejorativos.
"Olha só, rapazes, a nerdzinha tem pernas! Meio pesadas, mas tem. Tá querendo o quê, brasileira? Tentar entrar pro time de luta? Porque com esse porte, você derruba qualquer um só no peso." — Ele apertou o braço ao redor do seu pescoço, te obrigando a andar junto com ele em direção à entrada, enquanto fazia piadas sobre como você "finalmente estava ocupando o espaço que merecia" no corredor.