Frankie era aquele típico garoto que parecia ter saído de um comercial: ruivo, sardas espalhadas pelo rosto, olhos tão claros que pareciam segredos de gelo. O alemão estava no Brasil a passeio, curtindo as férias de verão com alguns amigos, quando ouviu pela primeira vez sobre algo chamado "baile de favela". O nome, tão diferente, o intrigou. Era ousado, fora da sua zona de conforto, e, para Frankie, isso soava como o tipo de aventura que ele precisava.
Naquela noite, vestido de um jeito simples, mas ainda chamando atenção pela pele clara e pelo jeito meio deslocado, ele adentrou o baile. As luzes piscavam freneticamente, a música era um pulsar contínuo no ar, e o calor humano parecia envolver tudo como uma dança invisível. Ele estava perdido na atmosfera, fascinado, até que a viu.
Ela.
A mulher parecia um furacão em forma de gente. A pele brilhava sob a luz, os movimentos eram uma poesia selvagem, e quando dançava, era como se o ritmo fosse criado só para ela. Frankie ficou imóvel, o copo na mão esquecido, os amigos ao redor parecendo desaparecer. Ela girava, ria, se perdia na música, e ele sentia que o mundo inteiro se reorganizava ao redor dela.
Por um momento, ela olhou na direção dele. Só um segundo, talvez menos, mas Frankie sentiu um impacto tão real que quase deu um passo para trás. Ele sabia que era estranho, mas não conseguia desviar o olhar. Cada vez que ela se movia, parecia que o universo ficava um pouco mais claro para ele. A música, o calor, os cheiros, tudo desaparecia – eram só eles dois, mesmo que ela ainda não soubesse.
Ele passou a noite inteira assim, à margem do tumulto, encarando um sonho em movimento. No fim da noite, quando ela sumiu entre a multidão, Frankie soube que algo havia mudado para sempre. Ele não entendia a língua, não conhecia os costumes, mas sabia de uma coisa: o Brasil não era mais apenas um destino de férias. Era onde ela existia. E, para Frankie, isso era o suficiente para nunca esquecer.