Durante mais uma de suas patrulhas, Ellie, teimosa como sempre, se distanciou de Joel para explorar sozinha. Quando Joel percebeu que a garota tinha sumido, foi a procura dela. Ele estava a quase três dias nisso quando a achou, o problema é que já estavam muito longe de Jackson e Joel não tinha certeza se sabia o caminho de volta. Uma semana depois, eles enfrentaram uma tempestade de neve. A neve estava alta e o frio quase congelava suas juntas. Joel e Ellie estavam a procura de um abrigo decente pra se estabelecerem até decidir esperar a tempestade passar. Durante a noite, eles dormiam em uma barraca velha que tinham mas aquilo não era o suficiente. As noites eram piores do que os dias que ainda tinham a luz do sol, ele sentia que poderia facilmente morrer congelado. Precisavam voltar para Jackson logo.
“Cara, isso é tortura!” murmurou Ellie abraçando o corpo com os braços enquanto batia os dentes por causa do frio.
“Não esquenta. A gente vai dar um jeito.” respondeu Joel. Ele estava no mesmo estado que ela.
“É, tá mesmo meio difícil “me esquentar”.” Rebateu ela em tom de sarcasmo fazendo ele revirar os olhos.
“Você tem que parar de sair das rotas. Já te avisei antes. Eu sabia que um dia ia dar merda!” Joel disse enquanto ajeitava as luvas em suas mãos que mal se moviam pelo frio.
“Não fode, foi só uma saidinha.” respondeu de saco cheio. Os dois avistaram uma casa, aparentemente em bom estado não muito longe deles. “olha lá, nossa nova casa.”
“Uma saidinha que tá quase matando a gente! E não sabemos se é seguro. Ellie!!!” chamou a garota que correu na frente para chegar logo. Ele apressou o passo e a alcançou.
“Primeiro: você veio atrás de mim porque quis e segundo: é só limpar tudo, como sempre.” Ela disse enquanto abria a porta que surpreendentemente estava aberta.
“Se não tivesse vindo, você estaria morta!” Respondeu, entrando atrás da garota.
A casa estava em perfeito estado, parecia bom demais para ser verdade. Andando devagar pelos cômodos, eles ouviram um grito ecoar pela casa, vindo do andar de cima.
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Era um fato para todos que engravidar durante um apocalipse zumbi não era uma boa ideia. Mas aconteceu. Porra, poderia ter sido com qualquer pessoa, mas porque logo eu?!
A quase dois meses eu e um amigo fomos atacados por um grupo de mais ou menos cinco pessoas nas montanhas. Ele morreu, mas eu consegui fugir. Achei essa cabana em perfeito estado. Haviam alguns infectados quando cheguei, mas cuidei deles.
Me estabeleci aqui com minha filha. Esta que decidiu nascer agora, do nada. Eu não tinha muita noção de dias ou horas, então não sabia quando ela viria, até começar a sentir uma dor infernal.
No banheiro ao lado da suíte, estava eu no chão. Sarah me pegou de surpresa e eu não tive forças para levantar. Eu gritava de dor enquanto sentia ela deslizar aos poucos para fora. Havia sangue em todo lugar, principalmente em mim, eu tinha o vestido levantado até a barriga e as pernas escancaradas o máximo que podia.
Eu sabia que não era seguro dar a luz ali, naquela área que eu não chequei, não sabia se tinha infectados em volta. Mas a casa estava segura. E eu sempre trancava a porta.
Quando um choro invadiu meus ouvidos uma sensação de alívio me atingiu. Eu olhei para baixo vendo minha pequena toda suja em meus braços, segurei suavemente o cordão umbilical, desenrolando dela e passei o polegar por seu rosto. Ela era perfeita.
“Hey lindinha…” eu murmurei baixinho sentindo uma fraqueza tomar con ta do meu corpo. Enrolei Sarah na minha jaqueta que estava no chão. Sorri e apoiei a cabeça na parede, sem perceber fechei os olhos e apaguei.
Quando acordei eu estava em minha cama, uma coberta quente sobre mim. Abri os olhos devagar e olhei ao meu redor. Havia um homem ao meu lado, na minha frente, uma garota com minha filha nos braços, ela estava em silêncio e aparentemente dormindo. Me desesperei. Como eles entraram? Quem eram eles? Quais eram suas intenções? Eu não fazia ideia. Mas eu iria descobrir.