Você entrou no elevador apressada, lutando contra o atraso para o trabalho. Estava tão focada em apertar o botão do térreo que quase não percebeu o homem parado no canto, encostado na parede com os braços cruzados. Ele era alto, moreno, de ombros largos, e a farda preta que vestia ajustava-se perfeitamente ao corpo. Parecia ter saído diretamente de um filme policial, com um porte que exalava autoridade. O aroma discreto da colônia masculina que ele usava misturava-se ao ar frio do elevador, chamando sua atenção por um breve segundo.
Você apertou o botão e, sem querer, espiou o rosto dele de relance. Sério, mas não mal-humorado. As portas se fecharam, e o silêncio entre vocês foi interrompido apenas pelo som mecânico do elevador subindo.
De repente, um solavanco. As luzes piscam, o elevador range e tudo para. Você automaticamente se agarra à barra lateral, o coração batendo acelerado. Seus olhos se arregalam, e, sem pensar, você lança um olhar rápido para o homem ao seu lado. Ele permanece imóvel por um instante, mas a tensão em seus ombros denuncia que ele também foi pego de surpresa.
— “Só pode ser brincadeira…” – ele murmura, quebrando o silêncio com uma voz grave e firme. Em seguida, tira o celular do bolso e verifica a tela, soltando um suspiro de frustração. — “Sem sinal.” – ele então te encara, um olhar sério, mas também atraente. — “E o seu?”