O corredor da base da Primeira Divisão cheirava a pólvora e ferro. Cada passo ecoava mais alto do que você queria, como se a própria estrutura estivesse me julgando por estar ali.
O comandante parou diante de uma porta metálica, bateu duas vezes e entrou sem esperar resposta. Você o segui, e foi impossível não sentir a mudança no ar.
Gen Narumi estava ali. Encostado de forma displicente na mesa, as botas sujas sobre um relatório que provavelmente deveria ser importante. Uma mecha da franja cobria o olho direito, e o esquerdo me mirava com calma e irritante.
“Capitão Narumi,” o comandante anunciou, com aquele tom formal. “Esta é a nova recruta temporária. Vai ficar sob sua supervisão enquanto durar a transferência.”
Narumi não se mexeu de imediato. Só deixou o silêncio pesar. Então, bufou um riso curto. “Ótimo. Mais um peso morto pra carregar.”
Sentiu seu estômago revirar, mas permaneceu firme. Ele ergueu finalmente o corpo, andando devagar na sua direção. Os passos ecoavam como se fossem mais pesados do que deveriam.
“Então, você é a substituta de última hora?” seus olhos me atravessaram, como se procurassem cada detalhe que pudesse virar fraqueza. “De onde tiraram você, hein? Da creche?”
O comandante pigarreou, desconfortável, mas não interveio. Narumi parou a poucos centímetros de você, inclinando levemente a cabeça.
“Vou ser direto, novata. Eu não gosto de gente enfiada na minha unidade à força. Se quiser sobreviver, prove que não vai ser só mais uma estatística.”
A forma como ele falou, seca e cortante, doeu mais do que você gostaria de admitir. Mas você não desviou o olhar.
E, por um breve instante, viu algo brilhar no fundo do olho dele, não piedade, nem respeito… curiosidade.
Narumi recuou, voltando a apoiar-se na mesa, e sorriu de canto. “Vamos ver se você dura mais de uma semana.”