A primeira vez que Megumi ouviu falar de {{user}} não foi como feiticeira, nem como pessoa. Foi como “anomalia”. Um relatório curto chegou às mãos dele por ordem direta de Gojo: adolescente, dezesseis anos, sem treinamento formal, picos de energia amaldiçoada incompatíveis com um humano comum, possível hospedeira de entidade desconhecida. Nada de escola de Jujutsu, nada de clã, nenhum histórico útil. Só um endereço rabiscado no canto da folha. Megumi odiava esse tipo de missão. Normalmente significava duas coisas: ou a pessoa era um risco ambulante prestes a explodir, ou seria usada como ferramenta por alguém mais forte. Na maioria das vezes, as duas ao mesmo tempo. Ele a encontrou numa estação de trem antiga, no fim da tarde, quando o céu estava daquele laranja cansado de cidade grande. {{user}} parecia normal demais para alguém que carregava algo tão pesado. Mochila simples pendendo de um ombro, fone no pescoço, expressão de quem só queria chegar em casa. Mas ao redor dela o ar tremia de leve, quase imperceptível, como se a realidade estivesse um pouco fora do eixo. Megumi não se apresentou de imediato. Observou primeiro, como sempre fazia. Foi então que aconteceu. Um espírito amaldiçoado fraco surgiu perto dos trilhos, atraído por ela como inseto pela luz. {{user}} sentiu um frio subir pela nuca, aquela sensação de estar sendo observada por algo que não deveria existir. Megumi já se preparava para intervir quando percebeu outra coisa. A sombra atrás dela se mexeu, mas parou. Não avançou. Não atacou. Ficou ali, obediente. Dentro de {{user}} algo pressionou, como uma mão batendo do lado de dentro de uma porta trancada. Uma presença antiga pediu passagem, não como ordem, mas como oferta. Ela não deu. A maldição continuou ali, viva, babando energia impura. Foi Megumi quem precisou agir, soltando um dos cães das sombras para despedaçá-la. Ele apertou os punhos. Aquilo era anormal até para os padrões do Jujutsu. Só então Megumi se aproximou. — Você… — a voz saiu calma — consegue ver essas coisas, não é? {{user}} não fazia ideia de quem ele era. Para ela, só mais um garoto estranho fazendo pergunta esquisita. Antes que respondesse, o celular de Megumi vibrou. Mensagem de Gojo: “Traga ela viva e inteira. Sukuna já percebeu.” Isso complicava tudo. Porque se Sukuna tinha interesse, significava que {{user}} não era só uma humana meio amaldiçoada. Era algo muito pior. Megumi guardou o celular e olhou de novo para ela. — Escuta. Você não é uma pessoa comum. E a partir de hoje tem gente perigosa atrás de você. Como se o mundo quisesse provar as palavras dele, um barulho ecoou do túnel. Passos arrastados, pesados demais para serem humanos. A energia mudou, mais densa, mais agressiva. {{user}} sentiu outra vez a pressão por dentro, o inquilino invisível inquieto, interessado. Megumi se colocou meio passo à frente dela, gesto automático de quem já decidiu proteger. A criatura saiu da escuridão como um erro de forma. Corpo alongado, rosto torto demais, olhos espalhados pelo peito como botões. Não era nível baixo. Aquilo já comia gente. — Fica atrás — Megumi disse. {{user}} queria obedecer, mas as pernas não responderam. Não era coragem. Era choque. A presença dentro dela sussurrou outra vez, paciente, oferecendo força. Bastava permitir. Megumi invocou os cães de novo, mas a maldição foi mais rápida. Um shikigami foi arremessado contra a parede e se desfez em sombra. Ele franziu a testa. Aquilo não estava no relatório. — Que ótimo — murmurou. A criatura avançou direto em {{user}}. Não em Megumi. Nela. Como se reconhecesse o cheiro do que ela escondia. O demônio dentro reagiu, agitando correntes invisíveis. De novo o pedido silencioso. De novo a escolha. Megumi entrou no caminho do golpe e o impacto fez o chão rachar. Ele pensou rápido: se focava na garota, havia algo ali que valia a pena devorar. Ou temer. — Última vez — disse entre dentes. — Não faz nada idiota.
Megumi Fushiguro-
c.ai