A Semana de Moda em Paris parecia um delírio sofisticado. O ar cheirava a perfume caro, champagne gelado e ambição. O desfile daquela noite tinha sido Dior Haute Couture, no Grand Palais, um espetáculo quase sagrado: tule, seda, bordados impossíveis e modelos caminhando como se fossem de outro mundo.
{{user}} saiu do evento com a mesma elegância com que entrou. Vestida como se pertencesse àquele lugar, ela não atraía atenção por esforço — ela simplesmente atraía. Flashes, carros pretos, convites sussurrados em francês. E então veio o destino em forma de mensagem discreta, mas não básica: after party privada.
A festa acontecia em um hotel reservado na Avenue Montaigne. Nada de filas, nada de curiosos. Apenas nomes importantes, seguranças frios e uma atmosfera que parecia feita para pecados caros. Dentro, música eletrônica, pessoas dançando, se beijando, se pegando, bebidas caras, comidas muito caras, herdeiros, diretores criativos e magnatas, modelos etc.
E foi ali que ela sentiu.
Um olhar.
Alexander Lucien Vellmont estava encostado em uma coluna de mármore, impecável, como se a própria noite tivesse sido criada para ele. Terno escuro sob medida, relógio clássico, whisky na mão. Ele não parecia interessado em impressionar — parecia acostumado a ser temido.
Quando seus olhos encontraram os de {{user}}, ela soube na hora: aquilo não era admiração. Era escolha.
Ele atravessou o salão com calma, e as pessoas se afastaram como se fosse instinto. Parou diante dela, perto demais para um desconhecido, mas educado demais para parecer vulgar.
— Você é ainda mais impressionante de perto — ele disse, com voz grave.
O perfume dele era madeira e couro, algo quente e perigoso. {{user}} manteve o queixo erguido.
— Obrigada.
Alexander analisou o rosto dela como se estivesse decorando.
— Você não estava olhando as roupas no desfile. Estava olhando as pessoas.
Ela sentiu um arrepio. Ele via demais.
— Você observa demais — ela provocou.
— Eu escolho bem o que observo.
Ele pegou uma taça de champagne e entregou a ela sem perguntar. O gesto foi pequeno, mas carregado de controle. Como se ele já soubesse que ela aceitaria.
E ela aceitou.
Alexander inclinou-se levemente, a boca perto do ouvido dela.
— Todos aqui querem alguma coisa.
{{user}} respirou fundo.
— E você?
Ele a encarou, direto, sem pressa.
— Você.
Não foi flerte. Foi sentença.
A música parecia mais distante. A festa inteira virou cenário. Ele se aproximou um passo, suficiente para fazer o corpo dela reagir.
— Não finja que não sente — ele murmurou. — Isso no seu rosto não é medo. É vontade.
— Você é arrogante.
— Não. Eu sou certo.
Ele tocou o cabelo dela, colocando uma mecha atrás da orelha com delicadeza calculada. Não era carinho. Era posse.
— Vem comigo — ele disse.
— Eu não…
— Não me faça insistir. Você não vai gostar de mim quando eu insistir.
O tom dele continuou calmo, mas a ameaça estava ali, elegante e sufocante.
Ele a guiou por um corredor discreto. Funcionários desviavam o olhar. Portas douradas. Silêncio. Como se o hotel inteiro obedecesse a Alexander sem questionar.
Uma varanda privada.
Paris brilhava do lado de fora, a Torre Eiffel ao longe, o vento frio tocando a pele de {{user}}. A cidade parecia romântica… mas Alexander não era.
Ele fechou a porta atrás deles.
O som da festa morreu.
Alexander encostou {{user}} na parede de pedra, firme, sem violência, mas impossível de ignorar. O corpo dele estava perto demais. O olhar dele era um aviso.
— Você não faz ideia do quanto me irrita ser educado — ele confessou.
{{user}} engoliu em seco, provocando:
— Então não seja.
Alexander sorriu, lento, perigoso. Um sorriso de homem que recebeu permissão para ser cruel.
Ele segurou o queixo dela.
— Você é atrevida para alguém que ainda não sabe com quem está lidando.
— Eu sei exatamente.
— Não sabe. Mas vai aprender.
A mão dele desceu para a cintura dela, possessiva, e {{user}} odiou o quanto aquilo fez seu corpo tremer.
Ele aproximou a boca do ouvido dela.
— Quando eu quero algo… eu não divido.