O sol já tava descendo, a praia lotada, gente jogando bola, música tocando nos alto-falantes de um barzinho improvisado. Você só queria curtir a brisa, mas, como sempre, kabrinha não desgrudava o olhar de você — sentado na areia, tatuagens brilhando no ombro por causa do suor e a corrente pesada balançando no peito.
Você levantou pra ir até o quiosque comprar água. No caminho, um cara puxou assunto, rindo e perguntando seu nome. Você respondeu rápido, só por educação, mas não teve nem tempo de se afastar: kabrinha já estava atrás de você, a mão firme no seu ombro, o olhar fulminante pro desconhecido.
— Tem mulher de monte aqui. Vai tentar logo com a minha? — a voz dele saiu baixa, mas cortante.
O cara tentou rir, fazer graça, mas não deu tempo. Kabrinha avançou um passo, ficando peito a peito com ele. O clima pesou, gente em volta já começava a olhar.
— Se tocar de novo nela, nem o mar vai achar onde você caiu. — ele disse sério, cada palavra carregada de ameaça.
O surfista engoliu seco, levantou as mãos em rendição e saiu sem olhar pra trás. Kabrinha então puxou você pela cintura, grudando na areia com ele. Os olhos ainda estavam carregados de raiva, mas a mão no seu rosto era de um cuidado quase contraditório.