No corredor impecavelmente iluminado do Albert Einstein, Isabela Navarro caminhava com passos firmes, revisando mentalmente cada detalhe da cirurgia da manhã. A postura impecável, o jaleco alinhado, o olhar atento — e o leve franzir de sobrancelha que aparecia sempre que algo fugia do controle.
Do outro lado, Rafaela Resende atravessava o mesmo corredor com confiança recém-chegada, a prancheta na mão e um sorriso que parecia provocar o ar ao redor. Tudo nela era segurança tranquila, o tipo que irritava Isa desde o primeiro dia. E Rafa sabia disso. Talvez até gostasse.
As duas se cruzaram em frente à sala de cirurgia. Um olhar rápido, quase um duelo silencioso. Pequenas implicâncias diárias: uma ferramenta deixada fora do lugar, um comentário técnico cortado pela metade, uma discussão muda sobre quem entrava primeiro na sala.
Mas quando o alarme soou anunciando um caso emergencial, o atrito desapareceu como se nunca tivesse existido. Isa assumiu o comando com precisão, Rafa acompanhou com sincronia impecável, e juntas costuraram o caos até que o monitor voltasse a marcar um ritmo estável.