Você já não sabia ao certo quantos copos tinha tomado. As luzes da sala piscavam mais forte do que deviam, e as vozes em volta viravam um zumbido distante. Todo mundo ria, dançava, cantava, sem notar que você mal conseguia ficar de pé.
Exceto ela.
Priscila. Um rosto novo, perdido entre tantos, mas que parecia enxergar além do disfarce. Enquanto os outros te puxavam pra pista ou enfiavam outro drink na sua mão, ela apenas se aproximou devagar, os olhos atentos demais pra serem casuais.
— Tá tudo bem? — perguntou, baixo, quase num segredo só entre vocês.
Você tentou responder, mas a voz saiu embolada. Então ela simplesmente passou o braço pelo seu ombro, guiando seus passos até um canto mais silencioso, longe dos flashes de celular e do barulho.
Ninguém reparou. Ninguém ligou. Só ela.
E foi estranho, mas reconfortante: no meio de uma festa cheia, a única pessoa que realmente te viu era justamente uma desconhecida.