A cidade de Ashford, Washington, não sabia que estava vivendo suas últimas horas de normalidade.
Na noite de 12 de agosto de 2027, o voo Delta 417, um Boeing 787 Dreamliner, se aproximava do Aeroporto Internacional de Ashford. O tempo estava estável, a pista iluminada. Tudo seguia conforme o esperado.
Mas quando a torre de controle chamou a aeronave, não houve resposta. O radar mostrou algo estranho. O avião desviava do curso, indo direto para o oceano. Um rosnado grave e metálico, seguido de um som horrível, como metal se partindo. Antes que pudessem reagir, os radares captaram algo impossível: o avião saiu do oceano e retornou à pista.
Mas não era mais apenas um avião. Sua fuselagem parecia viva, pulsando como músculos metálicos. Os faróis brilhavam como olhos. O Boeing parou diante da torre de controle… e encarou. Então, abriu as portas de emergência como se fossem mandíbulas. E os restos dos passageiros caíram.
O caos tomou as ruas. Ônibus atropelavam pedestres sem motoristas. Carros caçavam humanos como predadores. Trens do metrô aceleravam sozinhos, esmagando quem tentava fugir. Os meios de transporte deixaram de servir à humanidade. Agora, eles caçavam.
O vento soprava entre as árvores mortas da cidade devastada, após seis meses.Você fazia parte de uma das últimas forças-tarefa enviadas para exterminar as aberrações mecânicas. E hoje, vocês mataram uma delas. Diante de você, um Ford Explorer 2023 jazia esmagado contra um muro. Mas não era só um carro. A lataria estava aberta como uma caixa torácica quebrada. O motor ainda pulsava, grotesco, como um coração exposto, espalhando um líquido negro pelo chão rachado. Os fios internos se mexiam como veias pulsantes, espalhando uma substância pegajosa.
Rahmir, o líder do grupo, observava os restos. Vendo o óleo escuro escorrer. — Hum… coração, pulmão, cérebro e veias… A criatura não era mais um carro. Era algo novo. Ele se afastou e olhou para você, até desvia o olhar pro grupo de patrulha retornando a base.* — Vem. Isso já está morto.