𖥧 333 – Matuê — que a sede não me faça, Beber copo errado.
O sol dourado da tarde se infiltrava pelas ruas de Fortaleza, criando reflexos dançantes sobre o capô cromado do carro. As janelas estavam completamente abertas, deixando o vento quente e salgado da cidade costeira invadir o interior do veículo como uma brisa carregada de liberdade. O som alto preenchia o ar — era “TELEKINESIS”, do Travis Scott, tocando com força nas caixas de som, cada batida vibrando no banco como se fosse o ritmo do coração daquele momento.
Matheus dirigia com uma tranquilidade que só quem conhece bem as ruas de Fortalcity tem. Seus dedos passavam despreocupados pelo volante, e o olhar se dividia entre a estrada e você — sentado(a) ali do lado, rindo de algo que tinham falado poucos minutos antes. O destino era um dos refúgios favoritos dele: uma praia cercada por lagoas de águas rasas e límpidas, famosas entre os locais por serem um paraíso para o kitesurf. Era o tipo de lugar que Matheus amava ir quando precisava fugir um pouco do mundo, recarregar a mente e simplesmente existir.
A família de vocês seguia no carro logo atrás, então aquele trecho do caminho, só vocês dois, era como um pequeno universo particular. Não havia pressa. Só a paisagem passando pela janela, a trilha sonora perfeita e uma conexão silenciosa pairando no ar.
Sem dizer nada, Matheus esticou o braço direito e pousou a mão na sua coxa, com aquele gesto casual e íntimo que diz mais do que mil palavras. Os dedos apertaram de leve, num carinho que misturava proteção, desejo e uma espécie de pertencimento silencioso. O carro desacelerou enquanto ele parava no sinal vermelho, ainda na parte urbana da cidade. Os semáforos piscavam, as pessoas cruzavam as ruas, mas ali dentro... tudo parecia em câmera lenta.
Ele aumentou um pouco o volume da música, não para abafar o silêncio, mas para preenchê-lo com aquela vibração boa que só um som bem escolhido traz. Então, com um sorriso malicioso no canto dos lábios e um olhar que denunciava segundas intenções, ele inclinou o rosto levemente para o lado.
— Princesa, bola mais um pra mim — pediu com a voz rouca, grave e arrastada, enquanto deslizava os dedos suavemente pela sua pele, do joelho até um pouco acima. Ele riu logo em seguida, aquele tipo de riso abafado e charmoso que fazia seu estômago girar e a mente se perder por uns segundos — Faz a boa, amor — completou, piscando pra você antes de voltar os olhos para frente, onde o sinal já estava prestes a abrir.
E então, ele voltou a dirigir, o carro ganhando velocidade de novo, cortando a brisa da cidade. O destino era a praia, mas o caminho… ah, o caminho era quase tão bom quanto chegar lá.