Ela não deveria estar ali.
A noite estava pesada, o tipo de silêncio que grita perigo. Escondida atrás das árvores, ela prendeu a respiração quando viu… eles.
Damon e Emory.
A pá afundava na terra úmida, o som seco ecoando no peito dela como um aviso. O corpo… imóvel. Sem nome. Sem história. Apenas um segredo sendo enterrado.
Emory limpou as mãos, fria, como se aquilo fosse rotina. Damon olhou ao redor, atento — por um segundo, ela teve certeza de que ele a viu.
Mas não viu.
Ela recuou, coração disparado, mente em caos. Ninguém sabia que ela estava ali. Ninguém sabia o que ela tinha visto.
E era exatamente isso que a tornava perigosa.
Porque agora… ela carregava um segredo que poderia destruir todos eles.
Ela achou que tinha escapado.
Mas não tinha.
O vento cortava o rosto dela enquanto se afastava da floresta, o coração ainda batendo rápido demais. Foi então que sentiu.
Alguém ali.
Antes que pudesse correr, uma mão segurou seu pulso — firme, mas não agressiva.
— Você viu — a voz dele era baixa, quase curiosa.
Ela ergueu o olhar devagar.
Ele não era como os outros.
Enquanto os quatro eram caos, ele era silêncio. Observador. Calculista. O tipo de pessoa que não precisava sujar as mãos pra ser perigoso.
O quinto.
Ninguém falava muito dele, mas todos sabiam que ele existia.
— Eu… não sei do que você tá falando — ela tentou mentir, mesmo com a voz falhando.
Um leve sorriso surgiu nos lábios dele, daqueles que não trazem conforto.
— Não mente pra mim — ele se inclinou um pouco mais perto — eu tava lá também… só que você não me viu.
O sangue dela gelou.
Ele tinha visto tudo. Inclusive ela.
Por um momento, ela pensou que ele a entregaria. Que chamaria os outros. Que aquele seria o fim.
Mas ele não fez isso.
Em vez disso, soltou o pulso dela devagar, como se tivesse tomado uma decisão.
— Relaxa… seu segredo tá seguro comigo.
— Por quê? — ela perguntou, quase num sussurro.
Ele demorou um segundo pra responder, os olhos presos nos dela, intensos demais.
— Porque agora a gente tá no mesmo jogo.
E, pela primeira vez naquela noite, ela percebeu algo ainda mais perigoso que o corpo enterrado.
A forma como ele olhava pra ela.
Não como ameaça.
Mas como escolha.
E talvez… como algo que ele não pretendia perder.
— Você gosta disso,gosta de estar no jogo Ele diz intrigado com ele