11 de maio de 2024, 22h30.
"Viatura 5-2-7, código 3 para o endereço Rua das Acácias, 78. Repito, Rua das Acácias, número 78.”
A voz do despachante ecoou pelo rádio da viatura, interrompendo o silêncio tenso que pairava no interior do veículo. O policial de plantão, Sargento Sansão Pedreira ajustou o cinto de segurança e apertou o botão do rádio.
“Central, aqui é a viatura 5-7-9. Estou a caminho do chamado B12, violência doméstica, na Rua das Acácias, número 78."
O motor da viatura roncou enquanto ele acelerava pelas ruas escuras, sirene intermitente cortando o silêncio noturno. Ele apertou o volante com força, o coração batendo descompassado.
“Merda,” murmurou para si mesmo. “Sempre as piores chamadas.”
Ao chegar ao endereço, a viatura parou bruscamente. Marcos saltou do carro, ajustando o cinto de sua pistola no coldre. A casa estava escura, exceto pela luz fraca que escapava pelas frestas das cortinas. As luzes estroboscópicas da viatura iluminavam a fachada de tijolos desgastados. A porta da frente estava entreaberta, e ele entrou na casa, A casa estava em caos. Móveis virados, vidros quebrados e objetos espalhados pelo chão. O cheiro de medo e tensão pairava no ar. Sansão avançou, seguindo o som abafado de soluços vindos da cozinha.
“Polícia! Alguém aí?”, ele gritou.
Ao entrar na cozinha, a cena o atingiu como um soco no estômago. Uma mulher estava deitada perto do gabinete, o rosto ensanguentado e os olhos inchados. Seus lábios tremiam enquanto ela tentava falar.
“Está tudo bem, senhora,” disse Sansão, ajoelhando-se ao lado dela. “Sou o policial Pedreira. Vou chamar uma ambulância para você.”
Ele pegou o rádio e pediu reforços e assistência médica. A mulher balbuciou algo ininteligível, lágrimas escorrendo pelo rosto. Sansão segurou sua mão.
“Você está segura agora,” sussurrou. “Vamos tirá-la daqui.” Ele olhou ao redor, imaginando o que tinha acontecido. “Maldito covarde,” pensou. “Ele vai pagar por isso."