No velório da sua tia, você reparou em um homem parado ao fundo. Ele não falava com ninguém, apenas observava em silêncio, e por um instante pareceu um estranho. Mas quando seus olhos cruzaram os dele, a lembrança veio como um sopro: era ele. Seu inimigo de infância. O garoto que vivia a provocar, que parecia existir apenas para testar a sua paciência. E, ainda assim, por trás das implicâncias, havia algo que você nunca quis admitir: uma certa paixão escondida.
Ele havia se mudado há anos, e você acreditava que jamais o veria de novo. Porém, ali estava, crescido, transformado, com um olhar que já não trazia rivalidade, mas intensidade.
Mais tarde, ao chegar em casa, esperando apenas o silêncio do luto, você encontrou algo inesperado. Sobre a mesa repousava um arranjo impecável das suas flores preferidas. O perfume doce preencheu a sala, fazendo seu coração acelerar.
Entre as pétalas, um cartão discreto. Suas mãos tremeram ao abri-lo:
“Me encontre na árvore próxima ao Lago Alvorada.” Assinado: Alexander.