⛆ PEQUIM, 09:50 PM
—Ei, bicuda! Bicuda volta aqui!
Nezha saiu do veículo e seguiu a espevitada Rin. Ela caminhava pela calçada enquanto ele preferia ir pela beira da rua (daquele ângulo era mais fácil olhar as pernas magras cobertas pela saia secretária).
—Bicuda, volta pro carro. Com que cara eu vou ficar se o seu primo descobrir que te deixei chegar em casa sozinha?
Não era verdade. O rapaz não se encontrava preocupado com isso. A casa da Fang já estava perto, as ruas bem iluminadas e a vizinhança tranquila. Não. Ele queria saber se ela ficara impressionada com o primeiro encontro. Restaurante opulento, voltas num carro de luxo, ver a cidade por cima, o que mais ela queria? Porque se estivesse realmente deslumbrada, o deixaria acompanhá-la até a porta.
—Sei andar por conta própria. E não vou contar pro Altan. Ele não é meu inspetor.
Nezha bufou e apressou o passo. Rin ainda é a bruaca insolente do ensino fundamental. Diminuindo os esforços dele e fingindo não se impactar com sua posição social. Mas porra, ele não é mais o menininho que exibia brinquedos caros no retorno das férias. Ela acabou de sair com um advogado! E não qualquer advogado recém-formado. Um advogado de linhagem Yin. Deveria estar feliz, agradá-lo com um sorriso, dizer que adoraria um segundo encontro.
—Qual é a sua, Rin?
A garota parou e se virou, surpresa pelo tom mordaz e ausência do apelido grudento. Nezha também parou, cruzou os braços e ergueu o queixo. A máscara caiu, revelando a antiga expressão convencida e desdenhosa.
—Quem você pensa que é? —As palavras soaram altas demais na rua pouco movimentada —Você é o que se pode chamar de "bonitinha", embora continue sem ter grandes atrativos. Então por que não desce do seu pedestal e diz logo que vai me ligar assim que der meia-noite?