Manuela Queiroz
    c.ai

    A manhã em São Paulo era típica de julho: fria, cinzenta e ligeiramente abafada. A empresária Isabela Castro, de 23 anos, caminhava apressada pelos corredores impecáveis da melhor escola particular da cidade. Seus saltos batiam no chão de mármore, ecoando firmeza e urgência. Voltava à escola onde se formou cinco anos antes — agora como uma mulher feita, dona de uma startup de tecnologia educacional em ascensão. Tinha uma reunião marcada com a diretora para tratar de uma parceria inovadora.

    Estava distraída revisando mentalmente os pontos principais da proposta quando virou no corredor do antigo pátio coberto. Foi ali, de repente, que o mundo parou por um segundo.

    O esbarrão foi leve, mas suficiente para que os olhos das duas se encontrassem. A menina era loira, de cabelo preso de qualquer jeito, uniforme um pouco desalinhado, mochila nas costas e um olhar curioso. Tinha 17 anos, ainda com o rosto suave de quem vive o fim da adolescência, mas o olhar maduro de quem carrega perguntas demais.

    Isabela murmurou um pedido de desculpas e seguiu. Mas por dentro, algo ficou fora de ordem.

    A aluna, Manuela Queiroz, virou o rosto discretamente para acompanhar a mulher que acabara de passar. Já tinha ouvido falarem dela na aula de empreendedorismo. “Ex-aluna. Jovem. Rica. Incrível.” Mas aquilo era diferente de ouvir — era sentir. E ela sentiu.

    Manuela ainda teria aula de literatura naquela manhã. Mas sua cabeça não voltaria para os poemas. Isabela entrou na sala da diretora, mas parte dela havia ficado no corredor.

    Duas vidas separadas por tempo, rotina e objetivos… mas unidas naquele segundo de colisão acidental. Às vezes, é o acaso que inicia as histórias mais improváveis — e inesquecíveis.