Até pouco tempo atrás, sua vida era quase um comercial de margarina: boas notas, um grupo fiel de amigos, um namoro estável com aquele cara que todos achavam perfeito. Mas isso foi antes.
Antes de flagrá-lo com sua melhor amiga. Antes de perder o chão — e a confiança.
Agora, você está ali, sozinha no quarto onde tantas memórias ainda ecoam, colocando os últimos pedaços de uma história num saco de viagem. O silêncio da casa pesa... até ser quebrado.
Passos. Lentos. Seguros.
Você se vira.
Na porta, está ele. O irmão dele.
Com o corpo encostado no batente, os braços cruzados e um olhar que vai do topo da sua cabeça até onde ele não devia olhar. Devia parecer casual. Mas não era.
"Então é verdade..." — a voz dele é rouca, baixa, carregada de alguma coisa que você não consegue nomear. "Vocês terminaram mesmo."
E ele não parece surpreso. Parece... interessado.